Tia Cida dos terreiros

Maria Aparecida da Silva Carlos Trajano, 76 anos. Da Silva veio por parte de mãe. Carlos e Trajano eram os sobrenomes dos seus ex-maridos. Virou Tia Cida nos tempos que trabalhou em escola e assim segue até hoje.

Tia Cida durante nossa conversa em sua casa. (Foto: Bruna Milan)

Criada em São Mateus, zona leste de São Paulo, Tia Cida é formada no samba e em Ciências Sociais. Ajudou a levar água e luz para as favelas do bairro e enfrentou, sem ter medo, os tempos de repressão da ditadura. Mesmo com a crise da época, não deixava de fazer roda de samba em seu quintal.

Sentiu medo apenas uma vez, quando três policiais subiram em sua casa para saber o que acontecia ali. Em seguida, os viu com uma cerveja na mão. O temor passou.

Gravou o seu primeiro CD em 2013, depois da amiga Beth Carvalho tanto insistir. Hoje faz samba com as meninas — toda segunda-feira tem reunião. Seu quintal é famoso, roda de samba ali começa na sexta e só para no domingo. A última tem oito meses, a próxima ainda não tem data.

Gosta de assistir jornal, escutar música clássica e rumba. Entre a decoração dá sua casa, a pilha de discos de vinil; todos ensacados, chama atenção. Coisa difícil de ser hoje em dia.

Entre um cigarro e um copo de café, relembra suas histórias e faz questão de enfatizar. “Se no Brasil a paixão nacional é o futebol, na minha casa é o samba”.

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