As coisas que tenho amado e perdido

Para ler ao som de Doesn’t remind me

Queria ter coragem. Queria ser forte o bastante pra apagar esse cigarro e dizer a você tudo o que tenho feito. Dizer que fiz escolhas e porque as fiz. Dizer que a vida anda melhorando e que tenho menos motivos pra reclamar. Dizer que ganho mal e que quero mudar de emprego e que odeio minha faculdade mas que já é tarde demais para largar. Vontade de dizer que sinto sua falta, mais que a de todo mundo. Queria uma vez só esquecer minhas neuras e minhas escolhas estúpidas e segurar sua mão por uns instantes, como costumava fazer antes de sair do seu carro.

Queria que a gente pudesse estacionar em uma colina e ver a cidade. Você fumaria aquela merda que eu odeio, e eu acenderia meu Marlboro vermelho, e ficaria tudo bem. Seriamos nós dois de novo, por alguns instantes.

Seriamos aquela nossa música que toca na minha cabeça de vez em quando, quando, distraído, me pego pensando em você e volto para a realidade.

Mas eu não sou forte. Nem posso abrir janelas de fuga na minha vida. Não posso correr pros teus braços e deitar no seu peito e chorar como uma criança, pois afinal, tenho de admitir, não sou mais assim.

E você tem esse cheiro… e esse toque que é só seu e que me matam cada vez que você se aproxima.

Garota, você é um perigo. Você provavelmente vai me matar.

Enquanto escrevo essas linhas tão magras, olho de soslaio para meu violão. Penso em tocá-lo, mas está muito tarde. Penso no quanto você gostava de me ouvir e no quanto eu gostava disso.

Merda.

Se saudade matasse.

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