Usei o Uber pela primeira vez

Deixei de lado as conversas sobre o clima ou trânsito de São Paulo. Também não aguento mais ouvir discursos contra “a-corrupção-o-PT-e-tudo-isso-que-tá-aí”. Quando entro em um táxi, digo olá, como vai, o endereço de destino e, assim que possível, a polêmica do momento: E o Uber?

Semana passada obtive duas reações muito distintas. A primeira foi de um taxista cuca fresca que atende chamados exclusivamente por aplicativos: “Tem que se modernizar. Se o Uber ficar mais popular, mudo para o Uber e pronto. Seria até melhor não pagar mais o aluguel de alvará”.

O segundo taxista foi mais categórico. Disse que temos que barrar “esses caras”, recorrer a políticos, autoridades e o que for preciso. Chegou até a extrapolar: “Vocês vão ver no que vai dar essa modernidade. Daqui a pouco estão chamando médico que não é médico, bombeiro que não bombeiro, tudo moderno. Sem segurança alguma. TUDO MODERNO!”.

Mal sabe ele que hoje é possível consultar um médico pelo Telegram, com serviço disponível em quase 50 idiomas e 70 especialidades diferentes. O sonho de qualquer hipocondríaco disposto a gastar 19 USD/mês.

Apostando na modernidade, ainda não assinei o serviço médico online, mas experimentei o Uber e posso dizer do que gostei ou não.

Pontos positivos

Mais barato

Minha primeira corrida com um carro do Uber foi ontem à noite. O trajeto do bairro Santa Cecília à Vila Olímpia custou pouco mais de R$ 28, com um carro da categoria UberX. De acordo com o Tarifa de Táxi, a corrida teria saído cerca de R$ 41 com um táxi comum.

Aliás, o aplicativo oferece a possibilidade de estimar o valor da corrida antes de solicitar o carro. Para mim, o valor calculado foi muito próximo do real.

Pagamento prático

Nada de mexer na carteira ou digitar parte do CPF para pagar. Quando chegar ao destino, o motorista finaliza a corrida pelo aplicativo e c’est fini: valor automaticamente debitado via PayPal.

900 metros ou sete quilômetros: não importa

De acordo com o motorista de ontem, não existe a possibilidade de rejeitar “corridas pequenas”. O dono de um veículo cadastrado no Uber só enxerga o destino final do usuário depois de aceitar a corrida. Para completar, o trajeto da corrida é traçado pelo Waze, que possui integração com o app do Uber para motoristas.

É seguro

Para cadastrar um carro do Uber, o motorista precisa de uma carteira de habilitação na categoria profissional, requisitos mínimos de qualidade e confiança do veículo e um seguro bom o suficiente para cobrir prejuízos e vidas.

Pontos negativos

9 minutos de espera

Os aplicativos de táxi enviam um carro em menos de dois minutos. Por enquanto, o Uber demora bem mais. Em minha primeira corrida, levou 8 minutos para o carro chegar até mim.

Sensação estranha de “caroneiro”

Achei estranha a sensação de solicitar e entrar em um carro “não oficial”, conduzido por um estranho. Mas deve ser questão de costume. O motorista foi muito gentil e competente, chegando até a oferecer água. Sem dúvida, isso ajuda a quebrar o gelo (*rimshot*).

Exige certos cuidados

“Não vai pegar o carro na frente de um ponto de táxi”, me aconselhou um amigo quando saí para a rua. E ele não está errado. Por ter o potencial de quebrar certas hegemonias, o Uber acabou se tornando o alvo do momento.

Existem casos de carros apreendidos pelo Departamento de Transporte de Passageiros (DTP), por exemplo. E a razão não é muito simples: apesar de o aplicativo estar autorizado no Brasil, o DTP cumpre a lei 12.428/2011, que define apenas táxis como veículos capazes de exercer o transporte individual remunerado de passageiros.

Ouvi dizer que corridas dentro da cidade são menos visadas, mas as viagens até o aeroporto estão propensas à denúncias e fiscalizações. Em caso de dúvida, vale a pena sentar no banco da frente. Caso o destino seja Guarulhos, isso ajuda a disfarçar.

Saldo final

Apesar dos pontos que considerei como negativos, achei a experiência boa e econômica. As inseguranças parecem causadas pela resistência ao serviço e falta de legislação, dois fatores que devem aliviar com o passar do tempo.

Como consumidor, gosto mesmo é de andar a pé. Mas continuarei a usar o Uber. E também continuarei a usar táxi. Tudo de acordo com a urgência e os descontos do momento.

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