Paraíso anexo

~Aconteceu em Ponta Negra~

A curva da praia dos nomes

Praia da Tartaruga, Alagamar, Praia da Aeronáutica, Prainha, Praia de Trás do Morro, ou, como eu gosto de chamá-la, Praia do Vai ter Nome Assim na Casa de Praia do Caralho!

Fica logo depois da pontinha da enseada, do lado direito de quem olha para o mar, e é um dos destinos favoritos dos nadadores de Ponta Negra. Costumamos sair do catamarã ancorado a alguns metros da areia e ir nadando contra a corrente e as ondas, que costumam ficar mais agressivas na entrada da pequena praia, disparando ganchos molhados contra nossas cabeças e promovendo um festival de ingestões involuntárias de água com sal. Dizem que é bom pra caspa, mas estou careca de não saber.

Éramos em 6 pessoas, em um sábado daqueles em que o sol se esconde atrás de uma nuvem só para depois de alguns minutos sair de trás de outra gritando “gorou o ovo!”. Havíamos acabado de enfrentar a corrente pentelha na entrada da prainha cheia de nomes e o meu ombro fazia eu me sentir um boneco Comandos em Ação esquecido por 15 anos no baú de brinquedos. O olhar da nossa amiga estava fixado justamente acima deste ombro, enquanto ela chamava em voz alta pelo criador do universo do ponto de vista do criacionismo.

O assunto “ataques de animais marinhos” é bastante recorrente entre os praticantes da natação em mar aberto. Inclusive, realizamos alguns treinamentos informais, onde desenvolvemos técnicas para atenuar os possíveis danos de uma investida selvagem.

Por sorte, uma dessas técnicas estava nupérrima em minha memória: em caso de presença ameaçadora de tubarões, estique um dos braços na altura do ombro, enquanto leva o outro para trás da nuca.

Realizei a operação com maestria, enquanto gritava LEVA O ESQUERDO QUE EU SOU DESTRO, PORRA!

A onda de gargalhadas denunciou o alarme falso. Nossa amiga, deveras empolgada com a presença repentina de peixinhos saltitantes, excedeu-se na balbúrdia. Mais uma vez, lá estava eu, fazendo 4 series de 26 repetições de rosca contraída.

Meu susto teria sido o evento do dia. Não fosse um erro de interpretação de um colega que vinha mais atrás, junto com um professor de natação. Nadando meio tordo, levou uma chamada: “Tá sentindo falta das raias?”.

Raias. No mar, não são tão bem-vindas quanto na piscina.

Nesse dia os pescadores ficaram bem satisfeitos. Aparentemente, a quantidade de orações proferidas pelo colega fez multiplicar os peixes da região.