Mind the Gap TalentMarcel

O grande Ricardo Cavallini, no começo do mês publicou um vídeo de um projeto chamado Mind The Gap da TalentMarcel. Tudo que envolve a Talent chama a minha atenção, afinal, nunca escondi de ninguém a minha admiração pela agência, principalmente, pelo Julio Ribeiro, profissional que tenho como grande referencia na área de planejamento, a minha grande paixão, na área de comunicação.

Como um bom “cara de pau” fui atrás do evento. Falei com o Cavallini que me disse ser algo fechado. Liguei na Talent, descobri que a responsável era a Claudia Nascimento, porém, ela me disse que era fechado e estava lotado, mas quando mostrei a minha paixão pelo planejamento, falei do meu livro (Planejamento Estratégico Digital, Ed. Saraiva), que dou aula em faculdades, as coisas mudaram. Ela se interessou pelo meu perfil, me conseguiu uma credencial, um “VIP”. Uma mão lava a outra, então, prometi a ela escrever um artigo com as minhas impressões sobre o evento.

O evento teve 3 partes. A primeira uma pequena abertura sobre o evento e projeto. Na 2a parte, o vídeo — na integra, no site do projeto — apresentando o inicio do projeto. Na 3a, Didi Wagner (Multishow) comandou uma mesa redonda que contou com a participação de Camila Massari (Planejamento da TalentMarcel), Pedro de Santi (Professor e Psicólogo), Pedro Studart (Mondelez) e Márcio Carvalho, da Claro / NET.

· Sempre busque a falha na Matrix. As coisas nunca estão 100% certas e estão em constantes mudanças. O caos, as vezes, se faz necessário para provocar a mudança e marcas saírem do lugar.

· Adolescente X Juventude: Completamente diferentes. O lugar comum, chamado adolescência, é um buraco de emoções. Em todas as eras, culturas e gerações, contar histórias é algo muito comum. História é a forma mais simples de absorver a mensagem

· Para algumas marcas, o jovem, ainda é um “cliche”: são rebeldes, não sabe o que querem, mas querem tudo ao mesmo tempo e é isso que abre um verdadeiro abismo entre o que eles querem versus como as marcas devem se comunicar com eles.

· Puberdade e adolescência são coisas diferentes, puberdade é biológico, juventude entra na esfera cultural. O mundo interno feito de lembranças, ansiedades, desejos é que se tem de mais pessoal, ele não é comunicável, não dá para comunicar as pessoas, é o limite da intimidade que mostra o crescimento da criança para o adolescente.

· Complexidade. Qualquer tentativa de explicar o comportamento do jovem, tentando reduzir a qualquer tendência simples de conduta, contrastando com tendências anteriores é ser muito simplista em tentar definir o jovem

· Tentar definir o jovem de hoje é errar feio, mas de fato, o jovem de hoje tem formas de pensar e agir diferente. O jovem sempre tem uma característica diferente de gerações anteriores e o diferente tende a ser misterioso.

· Nos últimos 7 anos o jovem foi estereotipado com diversos códigos que tentavam definir o perfil, mas em nenhum momento o jovem é dessa forma: Geração Z, geração desapontada, geração que mudará o mundo, geração mimimi, geração isso, geração aquilo… Gerações mudam, mas não devem ter estereótipos de como só fizessem um único movimento.

· Cada geração se constitui em um ambiente cultural e simbólico. Novas gerações, novos códigos e parece que uma não entende a outra. De fato, são códigos e ambientes diferentes e que pessoas se relacionam com pessoas nesses ambientes.

· O jovem reflete a mudança da sociedade. 99% dos jovens não querem mudar o mundo, eles estão preocupados com coisas chatas, como comer, com o namorado, como ir até a escola. O que falta a eles é o interesse em determinados assuntos, mas isso é predominante em todo o ser humano: O jovem é o jovem. Suas manifestações é que mudam!

· As relações antes olho no olho estão sendo substituídas por olho na tela. Conversas entre casais sai do papo e vai para o texto do WhatsApp, para gerações anteriores isso é um absurdo, para os jovens, isso é comum e do seu dia a dia. A forma, não a pessoa, é diferente.

· Marcas fazem comercial para o jovem mostrando que ele quer ser diferente, quando na verdade ele só fala diferente. Isso faz uma grande diferença na hora de marcas se comunicarem com esse publico. Marcas julgam que o jovem é diferente como um todo, quando na verdade não enxergam a essência do jovem. Colocar esteriótipo no jovem é errado, as marcas não estão acertando esse tom na comunicação. Inovação é uma forma de se conectar com o jovem, mas é preciso saber que nem tudo o que lhes oferece, lhes agrada.

· Jovens de hoje, se adaptam melhor as mudanças de hoje. Assim como os jovens dos anos 80 se adaptaram melhor as mudanças da época e no futuro será a mesma coisa.

· Jovens buscam outros troféus com relação ao trabalho, sendo a felicidade um deles e não único como a mídia criou como estereótipo. Os jovens viram seus pais na mesma empresa por anos e nem sempre felizes e trabalhando pelo dinheiro e não pelo prazer, algo que eles não admitem seguir. Eles querem criar coisas diferentes, relação no trabalho simplesmente financeira não traz prazer ao jovem.

· O jovem não segue o que todos dizem que é o certo, pois para eles, nem sempre aquilo é o certo. O jovem olha sua vida em outros espaços e identificam outros troféus que não apenas o dinheiro, feedback é algo importante para eles, mas diferente do que se vende, o jovem não larga tudo a toa.

· Está levando mais tempo para os jovens terem o padrão de vida dos seus pais, isso gera angustia para uma geração que deseja tudo de forma mais imediata, há também o fato de querer ser respeitado, ouvido e admirado pela sociedade que o cerca.

· A revolução industrial empoderou o individuo que criou canais para se comunicar e gerar notícia e falar o que deseja. Pessoas comuns viraram referencias para os jovens, o poder do que e o que consumir mudou. O poder de questionar aumentou muito. Desautorizar o adulto ficou mais fácil, com o smartphone e computador nas mãos.

· Informação não é conhecimento, o jovem tem a informação e nem é na sua cabeça, mas ele não tem a linha de raciocínio, as vezes, o que ele fala não tem uma linha lógica e com sentido. É muita referencia para pouca experiência, mas quando é desafiado a produzir, ter um raciocínio não faz. Constantemente estão atrás de quem faz para saber o como faz. Jovem tem medo de errar, tendem a imitar e não a criar, ousar e inovar. Quando eles enxergam ídolos errando, eles se sentem melhores por terem errado, por isso, as empresas tem que abrir as portas para discussões e soluções juntos.

· Hierarquia é conquistada pelo conhecimento e experiência. A real autoridade é aquela que o conhecimento atrai seguidores e influencia positivamente comportamento e mentalidade. O jovem hoje é mais livre, mas a liberdade depende da competência das pessoas em arcar com as suas escolhas. Não saber quem é, gera angustia. Hoje tem mais opções e isso gera perda de sentido, perda de liberdade, o que escolher e qual caminho seguir? Existem inúmeras oportunidades e o jovem quer todas, mas selecionar uma é abrir de outras.

· Marcas podem ter dois caminhos para a escolha, ou permitir o erro ou diminuir o que é oferecido. A Apple só tem um tipo de Smartphone, por exemplo. O “Always Beta” tira a responsabilidade de estar sempre certo e a escolha definitiva. O reforço positivo ajuda no sentimento de felicidade com a sua escolha.

Nessa 3a e ultima parte, algumas observações do que foi debatido na mesa redonda.

· Conviver com o jovem nos mantem jovens por isso, para falar com o jovem, a marca precisa ser jovem. Em nenhum momento o estudo rotulou o jovem como sendo Y, Z ou Millennials, falou de comportamento e não rórulos.

· O jovem está mais aberto a mudanças e as marcas precisam saber como oferecer o algo a mais para eles. Se adaptam mais rápido a tecnologia, as marcas precisam oferecer em termos de tecnologia e inovação o que acreditam, o que são, ou vira algo “fake” e isso não agrega em nada.

· As vezes, o planejamento tende a ir para o mais fácil. Melhor do que pesquisar, é falar que as marcas precisam falar com a geração Z, pois há muitos estudos sobre essa geração disponíveis, estudos sem aprofundamento do que o jovem realmente quer, deseja e anseia.

· Os jovens tem propósitos, ele quer fazer diferente, ele é mais feliz pelo que vai fazer de diferentes, algo que outras gerações não tinham como propósito de vida, os jovens, tem a mesma essência, mas eles não querem ser como seus pais eram.

· O mundo muda muito rápido, mas se adaptar a isso leva um tempo que, as vezes, as pessoas não querem ter. A tecnologia empoderou as pessoas, ainda mais o jovem, que já nasceu em uma era onde a internet faz parte da vida. Eles não precisaram se adaptar a tecnologia, ela se adapta a eles

· Para as marcas, as vezes, é muito mais fácil ir por caminhos já trilhados e explorados, fazer o que já foi testado e tem o resultado provado, quando a pressão existe pela meta, é mais fácil ir para onde todos já foram, a chance de erro é menor, entretanto, no mundo atual, ir para o mesmo caminho pode não trazer os mesmos resultados.

· Inovar é errar. A maioria dos produtos do Google deram errado e eles são considerados altamente inovadores. Hoje é uma das três marcas mais valiosas do mundo. Marcas precisam ter verbas destinadas ao erro, ao teste, a ações sem a meta de retorno, como um laboratório de ideias.

Observações finais do estudo:

Rotular o jovem como aquele ser que só ri, não está nem ai com nada, não respeita hierarquia e só pensa em festa, viagem e dormir é errar. Rotular o jovem como o ser transformador do mundo, que vai revolucionar o que vemos, é outro erro. Achar que o jovem se resume a gerações com nomes bonitos para facilitar o entendimento, é outro erro. Falar com o jovem com uma linguagem que a marca, acredita, que vá dá certo, é errar. O jovem, as vezes, nem liga para a marca que tenta falar como ele fala, pois não é o que ele, as vezes, espera. O jovem é um ser em formação, com anseios e angústias, como um adulto, talvez, maiores ou menores. No fundo, o que falamos é com seres humanos com histórias diferentes entre si. Entender isso é o primeiro passo para aprofundar e entender quem é o jovem da sua marca, pois ele pode não ser o mesmo de outras marcas.

Felipe Morais é Sócio-Diretor da FM Consultoria em Planejamento, FM/Garantia e Felipemorais.com. Palestrante, coordenador do MBA de Marketing Digital e MBA de Gestão Estrategica de E-commerce da Faculdade Impacta (SP). Professor da FMU, Metodista, Senac, Univ Sagrado Coração entre outras. Autor dos livros Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva) e Ao Mestre com carinho, o São Paulo FC da era Telê (Ed. Inova)

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