“Defensores”, mas pode chamar de Demolidor 2½
Série serve como uma “intertemporada” do Demônio de Hell’s Kitchen

Pois é. Se me pedissem para resumir “Defensores” diria isso: uma “intertemporada” de “Demolidor”. Apesar da trama centrada em Danny Rand/Punho de Ferro (Finn Jones), chave para a organização criminosa Tentáculo atingir seu objetivo, é Matt Murdock (Charlie Cox) quem realmente se destaca. O conflito para voltar a vestir o uniforme de vigilante, mesmo que raso muito por causa da divisão do tempo de tela com os demais heróis, a ânsia pela redenção de Elektra (Élodie Young), agora renascida como Céu Negro, a liderança do grupo culminando no final, nítido gancho para a já confirmada terceira temporada da série solo do Demolidor.
Os demais heróis tornam-se secundários no enredo. Mesmo o Punho de Ferro, caçado pelo Tentáculo para ser a chave que abre o portão que esconde a “substância”, usada pelos criminosos para a ressurreição ao longo da existência milenar da organização, reduz Danny Rand a isso. Uma chave, um “objeto” que serve de elo entre K’un-Lun e o Tentáculo. Punho de Ferro, assim como em sua série solo, tem o carisma “picolé de chuchu”. E não, ele não veste o tradicional uniforme. Neste ponto é um acerto, pois o uniforme dos quadrinhos é bizarro. A tendência é que apareça mais à frente, bem reformulado, espero.
Jéssica Jones (a excelente Krysten Ritter), personagem espetacular e densa em sua série própria, aqui é um mero alívio cômico e a justificativa de suas capacidades intuitivas para descobrir o “epicentro de tudo” se esvai pelo fato de Matt Murdock já ter estado no mesmíssimo lugar onde está a Midland Circle, empresa de fachada do Tentáculo. Já Luke Cage (Mike Colter) tem como mérito deixar o Punho de Ferro menos chato, função que cumpre o quanto possível reeditando a dupla de heróis dos quadrinhos. Cage serve como uma âncora, sempre cético, no meio de um universo que mescla as ruas de Nova York com magia oriental. O que é estranho, visto que toda a ação do primeiro filme dos Vingadores é conhecida dos personagens, fazendo parte do seu universo. Ou seja: não dá pra duvidar de nada.
O grande acerto foi a redução dos tradicionais 13 episódios das séries da Marvel na Netflix para oito. Rápido e rasteiro, permitindo que em uma “mini-maratona” se assista à série inteira. Mesmo com os problemas de roteiro a série diverte e se você, assim como eu, assistir a tudo como um interlúdio entre as temporadas 2 e 3 de Demolidor funciona, já que o final, pra quem conhece a história do herói, insinua que “A Queda de Murdock” será a base da próxima temporada do vigilante mais famoso de Hell’s Kitchen. É esperar pra ver.
