"DEATH NOTE" do Netflix é bom?

Filme até é divertido, mas deveria ser muito mais (sem spoilers)

Felipe Nabinger
Aug 27, 2017 · 2 min read

Acabei de assistir ao "Death Note" live-action da Netflix. Acho o anime espetacular pela sua premissa: o poder de matar e as consequências que ele traz, mesmo quando as intenções são "aparentemente boas". Acompanhei, confesso, sem chegar até o fim. O jogo mental entre Light e L e o seu desfecho são o ponto alto da animação. Depois a saga do Near e Mello achei cansativa e acabei não completando.

Enfim, o filme lançado na sexta-feira pela Netflix trata exatamente do duelo Light x L. Mas é preciso que fique claro: não é uma adaptação do anime ou do mangá e sim uma releitura. A história é outra, até para caber em 1h40min de filme. Não sou contra contar uma nova história, desde que se mantenha o que há de melhor da obra original, no caso o grande poder que traz grandes dilemas morais e o jogo de xadrez psicológico dos protagonistas. E isso o filme não tem.

O Light Turner do Natt Wolff não tem propósitos claros, é um personagem raso e um grande bocó. Isso mesmo. Bem diferente do Light Yagami frio, calculista e super-inteligente. Na verdade parece que um pouco do lado ardiloso e questionável deste herói/anti-herói/vilão foi jogado para o personagem da Misa Amane, aqui na live-action chamada de Mia Sutton e interpretada por uma Margaret Qualley tão inexpressiva quanto Kristen Stewart na saga Crepúsculo.

Keith Stanfield, escolha tão criticada para viver L, é, pra mim, o menos pior deste trio de personagens principais embora o L da película tenha do detetive do anime apenas os trejeitos e a necessidade do consumo excessivo de glicose. É um personagem bem menos racional e isso incomoda. O final também, mas nada de spoilers. A etnia do ator, tão martelada nas redes sociais, não afeta em nada o filme.

O problema está na construção das personagens, do roteiro e do ritmo do longa, por vezes cuspindo muita informação de uma vez, em outras "empacado". O filme é de todo ruim? Não, é divertido. Mas não passa disso. Uma pena pelo que o mote original proporciona. Mas se você não leo o mangá e nem assistiu ao anime pode ter uma experiência mais proveitosa.

PS1: Willem DeFoe como voz e captura de expressões do Ryuk funciona bem, apesar de que, com um orçamento de US$ 40 milhões, o Shinigami ter ficado aquém do que poderia visualmente.

PS2: A trilha sonora tem músicas boas porém totalmente desconexas com a história. Não encaixa em absolutamente nenhum momento.

)

Felipe Nabinger

Written by

Jornalista. Radialista. Careca. Nerd.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade