"DEATH NOTE" do Netflix é bom?
Filme até é divertido, mas deveria ser muito mais (sem spoilers)

Acabei de assistir ao "Death Note" live-action da Netflix. Acho o anime espetacular pela sua premissa: o poder de matar e as consequências que ele traz, mesmo quando as intenções são "aparentemente boas". Acompanhei, confesso, sem chegar até o fim. O jogo mental entre Light e L e o seu desfecho são o ponto alto da animação. Depois a saga do Near e Mello achei cansativa e acabei não completando.
Enfim, o filme lançado na sexta-feira pela Netflix trata exatamente do duelo Light x L. Mas é preciso que fique claro: não é uma adaptação do anime ou do mangá e sim uma releitura. A história é outra, até para caber em 1h40min de filme. Não sou contra contar uma nova história, desde que se mantenha o que há de melhor da obra original, no caso o grande poder que traz grandes dilemas morais e o jogo de xadrez psicológico dos protagonistas. E isso o filme não tem.
O Light Turner do Natt Wolff não tem propósitos claros, é um personagem raso e um grande bocó. Isso mesmo. Bem diferente do Light Yagami frio, calculista e super-inteligente. Na verdade parece que um pouco do lado ardiloso e questionável deste herói/anti-herói/vilão foi jogado para o personagem da Misa Amane, aqui na live-action chamada de Mia Sutton e interpretada por uma Margaret Qualley tão inexpressiva quanto Kristen Stewart na saga Crepúsculo.
Keith Stanfield, escolha tão criticada para viver L, é, pra mim, o menos pior deste trio de personagens principais embora o L da película tenha do detetive do anime apenas os trejeitos e a necessidade do consumo excessivo de glicose. É um personagem bem menos racional e isso incomoda. O final também, mas nada de spoilers. A etnia do ator, tão martelada nas redes sociais, não afeta em nada o filme.
O problema está na construção das personagens, do roteiro e do ritmo do longa, por vezes cuspindo muita informação de uma vez, em outras "empacado". O filme é de todo ruim? Não, é divertido. Mas não passa disso. Uma pena pelo que o mote original proporciona. Mas se você não leo o mangá e nem assistiu ao anime pode ter uma experiência mais proveitosa.
PS1: Willem DeFoe como voz e captura de expressões do Ryuk funciona bem, apesar de que, com um orçamento de US$ 40 milhões, o Shinigami ter ficado aquém do que poderia visualmente.
PS2: A trilha sonora tem músicas boas porém totalmente desconexas com a história. Não encaixa em absolutamente nenhum momento.
