La mujer en el Rosedal
Foi pouco depois do por do sol, em julho de 2016. Eu sabia onde poderia te encontrar, já que meu metodismo vem de você e você jamais deixaria de honrar este dia. Sai durante a madrugada de casa, no céu poucas estrelas e uma Lua Nova; momento melhor para lhe encontrar não poderia ser desejado.
Chego em Buenos Aires pouco depois do meio-dia e me acomodo para poder me acalmar. Sabia que a encontraria, mas o nervosismo causado pelo avião me impedia de pensar. Um almoço, um filme, uma caminhada e lá estava eu no Rosedal de Palermo em uma noite de 11 de julho. Entrei pela lateral e virei na terceira a direita, uma rápida caminhada e a direita mais uma vez. Lá estava você, sentada aos pés de uma árvore com um livro, música e vinho. Confesso que senti medo de me aproximar. Não sabia como seria sua reação após tantos anos, mas já estava ali e queria muito te ver há anos! Não poderia fraquejar agora. Me aproximo lentamente para que me note e não se assuste pensado ser algum desconhecido. Seus olhos se arregalam e sinto que solta o ar de seus pulmões lentamente.
- Olá!
Digo nervoso!
- Oi…
Ela responde, abaixa o rosto e sorri timidamente.
- Sei que não deveria estar aqui, mas precisava muito ver você… Já faz muito tempo.
- Eu entendo.
- Você está bem?
- Sim… No que me cabe sim… E você?
- Ainda vivo.
- Vem cá. Senta aqui comigo.
Então me sentei ao seu lado e aproveitamos por um breve segundo um a presença do outro.
- Como você me achou?
Ela perguntou sem entender.
- Um peixe sempre volta para o mar de onde foi retirado.
Ela me abraça e continuamos a conversar até que o tempo nos abandonasse. Me levou para conhecer as novidades daquela cidade. Me apresentou seus amigos e aproveitamos como no tempo dos reis.
A chuva se fez presente em nossa noite selando, uma vez mais, esta união de dois iguais.
- Amanhã vou na praia tirar algumas fotos para a revista que trabalho, quer ir comigo?
- Praia? — Não é algo que esteja acostumado, mas depois de tudo que aconteceu nos últimos anos… — Por que não? Mas dá tempo de arrumar uma passagem?
- Estou de carro. Bom que você dirige, porque eu detesto.
Um sorriso amarelo surge em meu rosto; também detesto dirigir, mas não lhe disse isso.
Depois de um dia intenso meu corpo começava a se render ao cansaço. Disse a ela que precisava descansar e nos despedimos.
Isis, oh Isis sua garota mística que me leva a insanidade; Bob Dylan nunca fez tanto sentido!
Agora me resta dormir e torcer para acordar e tudo o que aconteceu fora verdade e não uma alucinação.