Dia 02 — Rio-2016 já começa frisando as peças pregadas pelos Jogos Olímpicos

O dia 01 dos Jogos Olímpicos se destaca por se resguardar para a cerimônia de abertura e a overdose de esportes se inicia apenas no dia subsequente, sendo, justamente por isso, que optei por apenas começar o diário olímpico a partir daí, até porque meu foco pessoal na maior festa do esporte mundial é justamente aproveitar da maratona esportiva.

E as competições trataram de começar já mostrando uma daquelas peças as quais os Jogos Olímpicos adoram pregar em nós, torcedores, fãs de esportes, que tanto nos preocupamos em revisar o ciclo olímpico, se inteirar sobre os atletas e, a partir disso, ficar grudado na frente da televisão com aquele sentimento de certeza a respeito da ocorrência de nossas previsões. No entanto, o esporte é cheio de pegadinhas e tem um prazer imensurável em pegar os prognósticos e pisar em cima deles com gosto.

A primeira medalha de ouro do Rio-2016 veio justamente frente a essas condições. Muito se falava da chinesa atual campeã olímpica, da sérvia líder do ranking mundial, da italiana campeã mundial, mas quem ganhou a medalha dourada na categoria carabina de ar 10m feminina do tiro esportivo foi uma norte-americana de 19 anos que, até 5 anos atrás, praticava patinação artística e ninguém a colocava entre as favoritas.

Este é apenas um retrato de que, no mundo esportivo, por mais que insistimos, pouco vale ficar fazendo projeções, porque é tudo muito pouco exato. Só que, quando se trata de atletas do nosso Brasil, a gente bate no peito pra confiar nas previsões, crê que a medalha é certa e apenas assiste para ter aquela emoção quando ela, enfim, se sacramentar. Com Sarah Menezes no judô era toda sensação.

A primeira luta era chata, mas a segunda contra a cubana era tranquila, já daria até pra descansar já pensando numa semi e final, que, estas sim, seriam pedreiras, mas Sarah era atual campeã olímpica, vinha de um ciclo bom, lutava em casa, tinha a NOSSA torcida, ou seja, tudo daria certo. Só que, meu amigo, a cubana, que era tão atiradora (não literalmente, por favor) quanto a menina norte-americana do tiro esportivo, foi lá e, mais uma vez, fez com que o esporte pregasse uma peça em nós, fãs de esporte, metidos a vidente.

Foto: Reprodução/Twitter Folha de São Paulo

De cara, já citei duas peças que a Olimpíada nos pregou nesse primeiro, isso porque nem me preocupei em falar do ciclismo de estrada que viu líderes e favoritos caírem (agora sim, literalmente) aos montes e de Angola que venceu a Romênia no handebol feminino, nem destrinchei as outras provas a fim de frisar a ocorrência de surpresas nelas.

É claro que, quando estas pegadinhas atingem atrapalham o sucesso do evento o qual torcemos, ficamos triste, passamos a considerar que as coisas todas darão errado daí em diante, até consideramos afastar o ufanismo olímpico, mas é justamente nessa hora que a gente vê a bondade da Olimpíada e até passa a entender um pouco do porquê de passarmos horas em frente a televisão torcendo, mesmo sabendo que nem sempre as coisas darão certo.

Quando uma peça ruim nos é pregada, os deuses olímpicos se mexem lá em cima e tratam de nos propiciar coisas boas para que não larguemos o osso do evento. Assim, enquanto ficávamos bolados por ver o judô, tão comentado como maior esperança de medalhas da maior maior delegação da nossa história olímpica, terminar o primeiro dia de competições sem ninguém subir ao pódio deixaria, com toda certeza, qualquer um triste, desanimado para a sequência, contudo, quando menos esperamos, vimos a conquista a qual não esperávamos despontar, não abalando nossos sentimentos.

Foto: Reprodução/Twitter Rio 2016

Dessa forma, Felipe Wu foi o personagem que surgiu para amenizar as derrotas do judô e nos fornecer alegria. Foi o personagem da peça pregada para o bem, porque todos sabiam que ele poderia surpreender, mas todos estavam cientes também da dificuldade da prova. O jovem atirador levantou a cabeça e, confiante, viu alguns favoritos caírem, enquanto ele permanecia firme e forte brigando pela medalha dourada até o último tiro, que contou uma demonstração de frieza esplêndida por parte do vietnamita que foi ouro. Restando, ao Brasil, o segundo lugar mais alto do pódio.

E é assim que nosso amor pelos Jogos Olímpicos se renova a cada edição, a cada evento que temos oportunidade acompanhar. As peças pregadas ao longo de cada competição estão aí para nos renovar a motivação, dado que, em uma hora, a gente lamenta a derrota, todavia, pouco tempo depois o que não tínhamos lá nossas dúvidas, se torna real. No fim, restando apenas o sorriso estampado em nossos rostos. Isso faz parte do tão comentado espírito olímpico.

Não deu para Sarah. Deu para Felipe. Vibramos.

E que venha o 3º dia da Olimpíada do Rio de Janeiro.