Desafios para a categoria petroleira em 2017

Greve dos Petroleiros de 2015 (Caio Clímaco/Levante Popular da Juventude)

24 de fevereiro de 2017

Se o ano de 2016 lhe pareceu o fim da picada, 2017 promete ser mais um capítulo desse drama interminável para o povo brasileiro. Essa piada de mal gosto chamada Brasil vem colecionando bizarrices desde a tomada de poder por Michel Temer e seus blue caps. Escândalos diários, brigas entre poderes, negociatas a céu aberto, malabarismos para disfarçar o desastre econômico — entre tapas, beijos e surubas, nunca pareceu tão difícil estancar essa sangria.

Mas embora o time de Temer esteja jogando um futebol feio, eles estão ganhando da gente. Desde a queda de Dilma, o que sempre temíamos e alertávamos vem ocorrendo numa velocidade assustadora: a destruição de tudo quanto é conquista social nesse país. O trator está passando não somente sobre avanços dos governos petistas, mas também sobre conquistas da Constituição de 1988 e até do Governo Vargas!

Petrobrás: Destruição a toque de caixa

O processo de privatização da nossa empresa, que ainda parece invisível para a sociedade brasileira, promete ser intensificado nos próximos dois anos. Entidades de trabalhadores buscam as vias jurídicas para tentar frear o trator privatista de Parente, mas não podemos nos iludir com essa estratégia — o Poder Judiciário também joga no time de Temer.

Além das ameaças de venda de unidades lucrativas e estratégicas para o país, petroleiras e petroleiros estão sentindo — no dia a dia — as consequências práticas das visões compartilhadas por aqueles que agora governam o Brasil. Embora tenhamos conquistado um importante Acordo Coletivo após meses de campanha, garantindo direitos e a reposição da inflação, os desafios para a nossa categoria não serão poucos.

O golpe chega ao cotidiano petroleiro

A receita é velha: precarizar e desmontar para privatizar. A tática utilizada em estatais durante a década de 1990 se repete: redução abrupta de investimentos, corte interno de gastos, demissões em massa (PIDV), piores condições de trabalho, etc. São diversos os ataques à categoria petroleira, contribuindo para um proposital clima de terror e de “salve-se quem puder!”.

Diante de um PIDV inconsequente, sem qualquer reposição de efetivo, multiplicam-se as dobras nos setores operacionais. Enquanto crescem os gastos com horas extras e o desgaste da peãozada, as gerências se preparam para o próximo passo desse projeto de precarização dos nossos postos de trabalho: a redução do número mínimo nas unidades.

O resultado disso nós já conhecemos: acidentes! No entanto, para essas “ações não esperadas”, a empresa também já se preparou. O sistema de consequências garantirá que, em caso de ocorrências operacionais ou acidentes de trabalho, o culpado será sempre o peão. Em acidentes fatais, como revelado pelo relatório de investigação da morte do companheiro Cabral (REDUC), a culpa será do falecido!

Como se não bastassem esses ingredientes para um péssimo clima de trabalho, a empresa recorre às chamadas “economias porcas” para irritar ainda mais a categoria petroleira. Diminuíram as linhas de ônibus, acabaram com o pão com manteiga, cortaram as máquinas de café e agora — pasmem — vão restringir o consumo de carne nas refeições.

E agora, José?

Março de 2015 (Luana Braga/Sindipetro-MG)

As peripécias da gestão Temer/Parente não se justificam pelo atual momento da Petrobrás, como alguns podem acreditar. Se a estatal passa por dificuldades financeiras conjunturais, vender ativos a preços ridiculamente baixos e cortar a carne do peão não resolverão o problema. A verdade é que a atual gestão não tem qualquer interesse em reerguer a empresa, mas sim reviver o velho e fracassado projeto neoliberal — ou seja — entregar tudo quanto é público nas mãos do mercado.

Para a classe trabalhadora brasileira, e não somente a categoria petroleira, não resta outro caminho que não seja pela derrubada desse governo ilegítimo e pela exigência de novas eleições em nosso país. Não teremos sucesso se nos limitarmos a lutas locais e corporativas e não atuarmos contra a causa principal para tantos retrocessos: a aliança golpista e anti-trabalhadora por trás de Michel Temer.

A luta contra a cruel Reforma da Previdência será a nossa grande oportunidade de convergir todo o descontentamento do povo brasileiro contra um governo entreguista e um Congresso tão corrupto. Ou vamos às ruas e reagimos agora, ou morreremos trabalhando — se é que vai sobrar emprego para todos nós.