Para começar a vencer, eu preciso admitir que perdi.
Antes de tudo, obrigado a NK por me apresentar essa plataforma maravilhosa. Eu amo novas plataformas e novas experiências.
Agora sim podemos começar.
A princípio, deixe-me apresentar pra você.
Meu nome é Felipe. Tenho 22 anos, moro em SP e a 2 semanas eu decidi morrer.
AVISO DE GATILHOS EMOCIONAIS NO TEXTO A SEGUIR.
Eu sempre fui uma pessoa extremamente extrovertida. Gostava da atenção das pessoas, de ser reconhecido, de ter vários amigos e tudo mais que um jovem na minha idade gosta de ter. Obviamente sempre tive problemas com dinheiro, me envolvi com alguns problemas emocionais também e já tive algumas mulheres na minha vida.
Eu nunca imaginaria o que aconteceria comigo.
Ao terminar meu relacionamento, me aproximei dela. Camila era seu nome. Tínhamos varios interesses em comum e nasceu uma amizade incrível. E olha que maravilhoso: éramos uma amizade colorida, e eu achava isso incrível! Tínhamos todos os graus de intimidade possíveis e tudo dava certo! Para um cara como eu, que já estava acostumado a muitas coisas darem errado, eu tinha ali um paraíso em vida!
Mas por mais de um motivo, hoje não somos mais melhores amigos.
Ela desenvolveu uma paixão por mim que começou a querer ser algo mais do que só uma amizade. Eu, por minha vez, não queria nada sério, mas não queria perder aquele elo que tinha construído. Ela já tinha se tornado um pilar na minha vida.
Quando a bagunça emocional chegou ao limite, ela decidiu ir embora. E comigo, algumas questões não resolvidas permaneceram.
Por que será que ela estava tão melhor sem mim?
Será que era meu destino não ter ninguém tão próxima como ela era pois eu não sei lidar?
O que fazer com aquele sentimento de vazio que ela havia deixado?
Essa ultima desencadeou em mim um processo extremamente problemático.
Eu tinha desenvolvido um sentimento de posse enorme. E a situação chegou em um momento de tristeza tão profundo, que engatilhou todas as outras tristezas que até então estavam enterradas. Ao me sentir sozinho entre amigos, entre minha família e entre todo meu círculo, eu não via mais sentido em viver. O vazio era ENORME. Qualquer pessoa próxima não era…ela. Eu não fazia mais diferença pra ninguém.
Graças a alguns fatores, eu abri mão da ideia de tentar efetivamente cometer suicídio.
Porém, meu corpo já tinha virado refém do meu psicológico frágil e cedeu. Fui internado com sintomas graves, mas até hoje ninguém soube o que tive. Fisicamente eles nunca descobriram, mas no fundo eu sabia por que estava lá.
Hoje, fora do hospital, eu aprendi a ser grato por estar vivo.
Não gosto da metodologia positiva de “você é um vencedor! Pense sempre positivo! Tudo vai dar certo! Se não der certo, é porque ainda não chegou ao fim! Você é incrível! Se ame!”. Pra mim, ela tem um defeito grave: a vida nem sempre dá certo. Nem sempre as coisas magicamente se resolvem ou alcançamos as coisas mais incríveis que sempre sonhamos.
Eu aprendi a acreditar que a vida apresenta coisas pra gente e cabe a nós agarrar as oportunidades. Claro que devemos trabalhar para tentarmos alcançar nossos objetivos. Mas, eu li uma vez que devemos entender nossas fases como ondas em um oceano.
Tudo passa, tal como as ondas. E nós somos maiores do que nossas tristezas. Elas não são quem somos. Todos nós ficamos tristes, angustiados, de luto, alegres, extasiados, excitados e etc.
Sinto que as vezes vivemos em uma sociedade que não sabe lidar com nossas verdadeiras emoções. Que, caso vc chore por algo considerado “fútil”, seu choro vale menos do que o choro de outra pessoa que tem “mais motivos” do que você.
Eu às vezes me sinto culpado por estar triste de não ter mais ela em minha vida.
Ou de ficar chateado de ver ela seguindo em frente com outra pessoa, que agora ocupa um tempo que eu costumava ocupar.
E essa agitação no meu peito persiste, e as vezes me impede de ver coisas boas em outros aspectos. Virou uma âncora pra mim em varios momentos, que me segura quando na verdade meu navio deveria estar em mar aberto, enfrentando tudo que a vida proporciona.
Tenho lido bastante a respeito de auto ajuda. Tenho buscado ajuda psicológica. Tenho movido mundos e fundos para que essa sensação suma do meu peito e eu possa voltar a sorrir de verdade ao saber que você tem outra pessoa hoje. E de saber que eu mesmo preenchi o vazio de outras formas.
Eu não quero mais que a minha vida acabe. Choro de emoção ao pensar em minha família, por mais imperfeita que seja. Que luta por mim desde sempre e me quer bem. Me emociono ao lembrar de meus amigos e colegas, que se importam comigo e me lembram todos os dias que eu talvez não possa ter mais o que tive com ela. A dependência emocional em outra pessoa não é saudável e eu sou ciente disso.
Mas espero que as outras pessoas entendam minha dor e meus motivos em minhas ações. Ou ao menos me respeitem.
A tristeza e a depressao te fazem ver as coisas por uma ótica extremamente distorcida. Usam de valores bizarros pra te fazer crer que você é ruim. Que nunca mais será feliz. Que outras pessoas estão incrivelmente bem e você não faz falta a nada nem ninguém. E acredite: ela tem ótimos argumentos pra te convencer disso.
Porque as vezes falta a gente lembrar que viver pode ser uma tarefa meio complicada. Que pra alguns, é mais fluido que pra outros.
Eu não me envergonho mais de dizer que sinto dor. Ou que choro. Ou que sinto a falta dela todos os dias e que tive que silenciar sua conta nas redes sociais pois não suportava mais ver e deixar aquilo me abalar.
Já foi pior. Eu acredito hoje que as tristezas passam. Acredito do fundo do meu coração. E preciso acreditar pra lembrar que eu ainda vou longe como pessoa, como futuro marido e talvez futuro pai. Eu mereço viver. Eu mereço ser feliz. Eu mereço voltar a sorrir e lutar por mim, sem medo de tentar.
A ela, eu peço minhas mais sinceras desculpas. Eu queria ter sido a pessoa que você esperava que eu fosse, mas isso não aconteceu. E acredite: eu torço todos os dias pra sua volta como minha grande amiga em minha vida. Onde você se sentirá a vontade de voltar a falar comigo sobre todo tipo de pauta. E até isso acontecer, eu vou lutar sem você pra ser feliz. De alguma forma, em alguns aspectos, eu talvez precise te esquecer. Deixar a vida tomar seu rumo.
Hoje, eu sei que estou avançando. Há um mês atrás, minhas palavras eram de extremo conformismo e hoje são de esperança. Com dor, mas ainda esperança. Porque é disso que a vida se trata. Talvez estejamos a todo momento frustrados, ou chateados. Mas que isso não nos impeça de acordar no dia seguinte pra dar mais uma chance a vida de nos fazer feliz. E de vermos o resultado de nosso esforço diário sendo recompensado de forma extraordinário.
Me tornei o otimista mais bizarro que já vi. Mas por mim tudo bem.
A vida continua.
Eu continuo.
E essa história vai sim ter um capítulo cheio de felicidade como já teve inúmeras vezes. Eu acredito nisso. Trabalho pra isso, sem esperar que caia magicamente do céu. Mas tendo fé na vida.
Vale a pena viver. E isso pra mim já é uma enorme vitória.
Ainda dói. Pra caralho. Mas dói menos do que doía antes. E isso é incrível!
