Se deixe em paz.

Existe uma pergunta que nos assombra talvez desde que a humanidade existe. Pergunta essa que motiva a busca pela psicologia, busca a reflexão e até mesmo a espiritualidade como guia: por que somos como somos?

Aviso: esse é um texto baseado em minhas experiências e não um texto baseado em pesquisa profunda e elaborada. Tá mais pra testemunho do que TCC.

Eu, como homem aos 22 anos de idade, sempre tive meus questionamentos como qualquer outro, mas aqui quero destacar um que a princípio é banal: eu sempre quis ter uma bela barba.

Não me entenda mal, eu sempre vi meu pai com seu charmoso cavanhaque, os caras da minha idade com uma barba de respeito e sentia que aquilo talvez fosse o “próximo passo” a ser seguido na “linha do tempo da masculinidade”.

Cheguei a passar remédios, tive bigodes aleatoriamente toscos e cheguei até a perceber que a barba só crescia em um lado da cara. A sorte não estava a meu favor em minha missão.

Mas sabe o principal problema que atrapalhava? Eu era ansioso. E com isso, adquiri uma espécie de tricotilomania – a mania de arrancar cabelos, e pelos em geral – o que fazia com que eu atrasasse MUITO o já demorado processo de crescimento dos ralos pelos faciais.

Perceba através dessa história um detalhe curioso: o principal inimigo do meu objetivo era EU MESMO! E mesmo que não faça sentido, às vezes precisamos ter coragem de dizer a nos mesmos que precisamos mudar, precisamos combater os males que possuímos para nos agarrarmos aos objetivos correntes, benéficos e saudáveis!

Claro que a psicologia ajuda. Com a minha psicóloga, aprendi a perceber inúmeras falhas e acertos que faço e em como lidar com eles no dia a dia. Mas as questões nunca pararam: por que somos da forma que somos? Por que estabelecemos objetivos para nos mesmos e não conseguimos cumprir nem com o básico? Por que magoamos pessoas? Por que somos ingratos com as pessoas que amamos? Por que nos sentimos insuficientes? E por que raios nos pegamos pensando em todas estas coisas que só nos deixam piores ainda?

Eu mesmo tenho alternado momentos de refletir e me deixar em paz.

Ao refletir, tenho tentado (muitas vezes falhando) me ater a respostas concretas, provenientes de fatos reais e que levem a alguma associação lógica e possível de mudança no comportamento. Sem me prender a suposições, ou achismos orientadora por minha ansiedade, preguiça ou capricho.

E o mais importante: eu tento tentado me deixar em paz. E com isso, não quero dizer que sento em cima da vantagem, ou que uso da minha personalidade como uma carteirada perante a vida. Eu sou quem eu sou, e posso precisar sim de correções e alterações durante o percurso.

Mas pra isso, eu preciso de paz.

Talvez chegue um ponto onde a pergunta do título fique em segundo plano.

Talvez ela me assombre todas as vezes que me lembrar que eu diariamente faço chorar as pessoas que amo e gosto em minha vida.

Mas ela precisa ser combatida.

Não podemos perder tempo precioso e fértil das nossas vidas somente refletindo sobre elas mesmas. A ação é necessária e deve ser estimulada.

Encontre a balança da sua vida e seja honesto com ela. Ninguém nasce sabendo de nadar muitos até morrem sem saber.

Busque-se. Mas alie sua busca por conhecimento por uma busca de viver genuinamente.

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