Exploração satânica da soberania de Deus

Felipe Sabino
Aug 23, 2017 · 3 min read

por Vincent Cheung

Quando cristãos de certas tradições são confrontados com uma promessa inegável da parte de Deus de algo agradável, como cura, ou respostas à oração, ou os dons do Espírito, eles dizem: “Sim, mas lembre-se que Deus é soberano”. Todas as promessas de Deus não têm sentido para eles, pois não importa o que a Palavra de Deus diga, Deus pode sempre fazer algo diferente, mesmo algo diretamente oposto.

Contudo, essas pessoas nunca aplicam isso à promessa de salvação. Elas nunca dizem: “Sim, Deus prometeu salvar todos aqueles que têm fé em Cristo, mas lembre-se: Deus é soberano! Assim, alguém pode ter fé plena em Cristo, mais fé que Paulo, Pedro e João combinados e ainda assim queimar no inferno”. Eles nunca dizem isso. Eles condenariam tal coisa como “hiper” isso ou aquilo. Mas eles são hiper-hipócritas.

Além disso, essas pessoas nunca aplicam isso à promessa de julgamento. Elas nunca dizem: “Sim, Deus prometeu julgar todos aqueles que rejeitam o evangelho, mas lembre-se: Deus é soberano! Assim, alguém pode definitiva e repetidamente rejeitar a Jesus Cristo e ainda ser exaltado ao lugar mais alto no céu. De fato, ela pode até mesmo substituir Jesus Cristo, pois você sabe: Deus é soberano!”.

Não, eles diriam que se Deus prometeu salvar todos aqueles que têm fé em Cristo, então todos aqueles que têm fé em Cristo serão salvos. Eles dirão Deus prometeu condenar todos aqueles que não têm fé em Cristo, e ele certamente irá condená-los assim como disse. Mas quando diz respeito a algo agradável além da salvação, subitamente “Deus é soberano” e não sabemos o que acontecerá, a despeito do que ele prometeu e a despeito de termos fé ou não.

Eles exploram a doutrina da soberania divina para neutralizar as promessas bíblicas que expõem sua falta de fé, sua falta de inteligência e sua condição espiritual inferior. Mas ao fazer isso uma vez, eles não podem impedir que isso seja feito com tudo na Palavra de Deus, incluindo promessas que eles desejam manter, ameaças que desejam reforçar e doutrinas que desejam afirmar.

Se “Deus é soberano” pode acabar com algo bom que Deus disse, então pode acabar também com algo ruim que Deus disse. Pode acabar com tudo o que Deus disse. Devemos crer em Cristo? Excelente! Mas Deus é soberano. Há um inferno para punir pecadores? Ótimo! Mas Deus é soberano. O aborto é errado? OK! Mas Deus é soberano. Tudo seria decidido caso a caso, e não mais poderíamos dizer a alguém o que é verdadeiro ou falso, certo ou errado. Afinal, Deus é soberano.

Todas as controvérsias doutrinárias deixariam de ter sentido. Por que argumentar sobre o batismo com água, quando “Deus é soberano”? Você acredita no batismo de crianças? Bom para você, mas John Smith está isento, pois Deus é soberano. Você não acredita no batismo de crianças? Mary Jane está praticando-o da mesma forma, pois Deus é soberano. Você acredita que um pinguem fêmea homossexual não pode ser um presbítero na igreja? Não se preocupe, pois Deus é soberano. Esse pinguim será “legalmente ordenado” e servirá biscoitos mágicos no próximo domingo.

Não há outro tipo de teologia mais satânico do que esse.

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