Felipe Santana
Nov 2 · 3 min read

Você é muito mais que o Enem

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Mais um ano do exame nacional do ensino médio, o famigerado Enem. Eu fiz e você já fez, e creio que fez se você tiver uns 20 tantos anos como eu ou se não fez, fez algum vestibular tradicional de sua cidade em outras épocas. Passou por toda aquele mar de cobranças, toda aquela pressão social, ansiedade, como diz a música do Legião urbana: “Você precisa passar no vestibular, você precisa passar no vestibular..”.

Então, de forma simplista: é apenas uma prova. Eu agora como professor quase formado e tendo experiência fora da minha época escolar. Vejo que os adolescentes e jovens imaturos são jogados para os leões da competitividade nessa época. Tem que vencer e vencer, e se perder é o fim do mundo.

A grande problemática dessa narrativa que nessa fase, ainda de descobrimento e como dizem os especialistas da psicologia, a fase de afirmação da identidade. Muitos não tem a mínima noção do que querem, e as suas afirmações são muito voláteis. E sabe que o melhor disso tudo, que é extremamente normal pela idade. Uma amostra clara que não existe nada de concreto nessa vida e aquilo que pensamos que é o certo hoje, dois dias depois pode ser o errado com refutações claras.

A prova em si se torna um bicho papão, muito potencializado pelas escolas/cursinhos. Fazendo aquela rotina de cursinho de segunda a sexta, e professores municiando a ideia da chegada da prova e com dizeres de “Quem vai passar?” E na real, não existe vagas para todos. Formando uma ideia que é apenas um único caminho, adentrar numa universidade pública fazer um curso que será para a sua vida e ser um profissional nessa área. Quase um modelo “Pronto e acabado”, aí que está o grande erro.

Esse caminho certo é o mais incerto que existe.

Pela idade os estudantes vivem aquele mundinho de namoros e paixões adolescentes e não tem a mínima noção do mundo externo e as várias alternativas além de ingressar numa universidade. A vida é vasta, não só de glórias(deve-se atentar a isso), mas há aprendizados e muitas adversidades a serem vencidas. O processo deve ser mais humanizado e menos competitivo, e nesse modelo econômico capitalista é muito difícil fugir dessa linha de raciocínio, mas muito importante sair. Se não passou, tudo bem tem outro ano. Mas siga o caminho dos estudos sempre, em foco para quem é de classe baixa como eu, a única forma de transformação social para quem é pobre é pela educação é árdua, é difícil, mas o caminho sempre tará benefícios. Entretanto, tem outras universidades, faculdades, formas de acesso ao ensino superior, agora de tem aos montes. Nos anos 90 na época dos meus pais era difícil as coisas e estudar numa faculdade era coisa de classe média e rico, avançamos muito nesse quesito.

Por fim, busquem não se pressionar por uma prova em si, lembre-se a vida é muito mais que uma prova e existem muitas outras alternativas a seguir nessa vida. E para quem está lendo e já passou por tudo isso que falei, siga o exemplo de não se culpar por erros e derrotas, não se martirizes por isso, as adversidades fazem parte do contexto de nossa existência, supere o surto, busque ajuda, converse com pessoas ao seu redor, sempre há um caminho.

Quem gostou bate palma, quem não gostou paciência. 🌻

Written by

Vivendo a vida como o fim e o começo. Desvendando novas séries, e buscando reflexões em animações. Aprendiz de geógrafo. Twitter: @felipedegeo

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