O Dilema “Estar Certo”

Felipe Santos
Nov 6 · 4 min read

Com o passar da vida tenho notado muitas situações onde não é uma questão de certo ou errado, mas sim de escolher se estressar ou não. Não me preocupar muito em estar certo em relação ao que já aconteceu, a maioria dos erros só são notados de trás pra frente, me preocupo em reverter esse indíce daqui pra frente. Depois que algo já aconteceu foco em entender pra não repetir, se não tiver lição a ser aprendida, I just let it go…

Recentemente presenciei uma discussão entre uma senhora que por um pouco de azar acabou com seu carro na faixa de pedestres no momento em que o semáforo fechou para os carros(coisas de São Paulo…), e uma moça que estava a atravessar a rua e se incomodou com isso e despejou uma série de “elogios” na senhora que estava a dirigir *você agora deve estar calculando o quanto cada uma delas está certa e/ou errada*. Olhando de trás pra frente é fácil perceber que a motorista errou no tempo, achou que ia dar pra passar e não deu, mas sério, tanto faz depois que já aconteceu, não foi um erro deliberado onde ela sabia que ia fechar a atravessia de pedestres e fechou, a discussão talvez sirva pra ela pensar melhor nas próximas, talvez. Mas pra mim é um enorme de um foda-se, não é meu trabalho educar essa pessoa, pra que vou me estressar com isso? O resultado do momento dependendo da perspectiva(quero estar certo vs quero ter paz) que eu adotar são assimétricamente opostos, de um lado temos o certo/estressado, do outro temos o neutro/tranquilão. É uma questão de escolha desde que você se lembre de escolher, o que muitas vezes no calor do momento é difícil, mas procure ficar atento, e pergunte: esse momento/ situação, vale a pena acertar/construir o certo ou ter paz?

Como escolher a perspectiva a adotar

Por que construir o certo? Bem, nessas situações onde o certo ainda está sendo construido são as que provavelmente valem a pena um certo estressezinho, exemplificando: recentemente participei de uma negociação onde contrataríamos todo o aço a ser consumido por uma construtora no período de um semestre, estava na mesa a opção de ofertarmos um pagamento antecipado por um preço, no momento, agressivo. É uma decisão tomada a muitas mãos. Alertei e insisti sobre o fato de que um dos reguladores do preço do aço(preço de sucata, matéria prima do aço) estava em pleno declínio por um bom tempo, e que a previsão pra um futuro próximo era de que esse declínio continuasse porque a China havia superproduzido sucata, e por isso na minha opinião não valia a pena pagarmos antecipadamente, haviam outros fatores na mesa como o medo do aumento de demanda por aço fazer o preço subir, mas eu não soube articular na decisão(um pouco por medo de errar também) e por isso antecipamos o pagamento, o resultado foi que o preço do aço despencou, e deixamos de economizar dinheiro.

Agora imagina essa mesma situação sendo discutida hoje, de trás pra frente, de que adianta estar certo, me estressar e estressar o conjunto de pessoas que tomou a decisão? É aprender com isso e tentar construir o certo nas próximas.

É mais ou menos por aí, o mesmo assunto, momentos diferentes, perspectivas diferentes… Em situações mais triviais é mais fácil pesar a perspectiva certa a adotar, situações mais complexas requerem uma mente mais flexível, mas é uma habilidade que valorizo.

É, você pode escolher, não precisa sair agindo no automático pra tudo…

Mas escolhi acertar… E agora?

Já tomei diversas decisões na minha vida, e é difícil manter um rastreio do quão bem eu fui em todas elas, mas sob uma ótica mais ampla, me olho hoje e gosto do que vejo, portanto imagino que meu saldo esteja positivo.
Olhando pra trás(experiência + estudo), vejo alguns recursos simples que aumentam nossa probabilidade de acerto…

O que é acertar?

Tenha métricas claras, tão claras quanto possível, muitas vezes o cenário é poluído, mas saber o que se quer com aquilo tudo é o passo mais importante e por mais que pareça óbvio, é facilmente negligenciado. Dê um “zoom out”, escolha o target, como medir ele, e então mergulhe no planejamento e execução.
Quando você vai pra uma balada, tá afim de achar alguém pra ter algo mais sério ou é só pegação? O cenário é o mesmo, métricas diferentes. Se esclareça.

Teoria dos Jogos

Em síntese, se você não sabe como os players envolvidos no cenário da decisão vão se comportar(cenários complexos geralmente são assim), aja escolhendo o melhor pra você em um cenário onde os outros players farão o mesmo por eles, ou seja, não conte com a falha, com o bom senso e muito menos com a caridade deles.
Já assistiu Batman, O Cavaleiro das Trevas? Sabe aquela cena onde o Coringa manipula duas balsas e coloca a vida das pessoas de uma balsa nas mãos de alguém da outra balsa e vice-versa? Uma decisão baseada na terioa dos jogos teria sido explodir a outra balsa o mais rápido possível. É uma situação extrema, e com fatores emocionais bem carregados, mas ilustra bem o que quero te passar.

Mente Flexível

A real é que na maioria das vezes existem chances de errarmos, e chances grandes, permita-se falar não sei, o mundo tem várias verdades, não deixe a sua te cegar. O dia a dia vem com uma série de questões onde subjetividade conta. Cada passo nessa direção aumenta suas chances de acertos nas próximas.
Algo que me preocupa, não entenda flexibilidade como submissão, você não vai aceitar o argumento do outro sem pesar, você só vai segurar ele na sua cabeça por tempo suficiente pra você entender se aquilo pode fazer sentido ou não de alguma forma pra ti, só não descarte sem olhar com um pouco de profundidade…

Mas e se você quer paz?

Quando a perspectiva de paz é escolhida, é como jogar luz em uma sombra, o estresse se dissolve só de receber esse “olhar”. Tão simples quanto isso, mas não se engane, o fato de ser simples não implica em ser fácil.

Felipe Santos
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade