Introdução Parte 1 — Estudo da carta aos Filipenses

Estou começando um estudo da carta aos Filipenses, e aproveitando gostaria de compartilhar o estudo com amigos e irmãos em Cristo Jesus, esse é o intuito dessa série de publicações que estou iniciando.

Ao leitor, tomo a liberdade de pedir alguns favores, sendo o primeiro o uso da misericórdia, pois eu não estudei teologia na academia (o faço em casa e em conversas com amigos), não sou pastor ou teólogo, portanto pode acontecer de uma interpretação errada da minha parte, por isso o leitor sinta-se livre para usar o espaço dos comentários para corrigir-me e dar a interpretação mais exata do texto. O segundo favor, se o leitor gostou e de alguma forma aprendeu mais sobre essa carta, ajude a outros compartilhando essa publicação. Terceiro favor, tenha paciência na frequência das publicações, pois sofro de dois problemas, falta de tempo e perfeccionismo.

Para este estudo é importante revelar o material que vou usar para realizá-lo, portanto segue a lista da fonte da qual irei beber para trazer esta série:

É meu desejo trazer o estudo para uma parte mais prática, comentando a parte histórica, trazendo a interpretação e buscando sempre uma aplicação prática para nossas vidas. O método usado vai ser próximo a de um exposição bíblica, ou seja, vamos estudar verso por verso dessa carta. Porém esta publicação trate-se da introdução, portanto vamos nos deparar com uma abordagem mais histórica.

Ótimo, dito tudo isso, vamos lá!

Introdução

A carta aos filipenses foi escrita por Paulo de Tarso para uma igreja cristã na cidade de Filipos, província da Macedônia. Essa igreja havia sido fundada pelo próprio Paulo mais cedo por volta dos anos 50 do primeiro século (Por favor leia antes de prosseguir: Atos 16). No momento que Paulo escreveu a carta, no final dos anos 50 ou no início dos anos 60, ele estava na prisão, e tinha acabado de receber ajuda financeira dos filipenses através de Epafrodito, um emissário da igreja. O local e o momento onde Paulo estava preso é debatido até hoje, porém sou levado a concordar que é mais provável que Paulo estava preso em Roma (Atos 28) no momento que escreveu a carta, isso fica mais evidente quando Paulo menciona termos como "guarda pretoriana" em Fp 1:13 e "casa de César" em Fp 4:22, termos que se encaixam melhor com a capital do império romano.

É interessante ler como tudo começou, Paulo e seus companheiros estavam exercendo suas viagens missionárias quando não somente uma vez o Espírito Santo os impediram de continuar com o plano que haviam previamente estabelecidos, e mais, Paulo depois teve uma visão que imediatamente o levou a Macedônia e consequentemente a Filipos, onde permaneceu por várias dias e plantou uma igreja, vamos ao relato bíblico:

Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frígia e da Galácia, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu. Então, contornaram a Mísia e desceram a Trôade. Durante a noite Paulo teve uma visão, na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe suplicava: “Passe à Macedônia e ajude-nos”. Depois que Paulo teve essa visão, preparamo-nos imediatamente para partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos tinha chamado para lhes pregar o evangelho. Partindo de Trôade, navegamos diretamente para Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis. Dali partimos para Filipos, na Macedônia, que é colônia romana e a principal cidade daquele distrito. Ali ficamos vários dias.
Atos 16:6–12

Por que O Espírito Santo o impediu de ir para Ásia? Por que o levou a Macedônia? Nosso Deus é Soberano, Nosso Deus possuí o controle de todas as coisas, e Ele exerce Sua Soberania no tempo e no espaço a fim de salvar seu povo, nesse caso, os eleitos de filipenses:

No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que se haviam reunido ali. Uma das que ouviam era uma mulher temente a Deus chamada Lídia, vendedora de tecido de púrpura, da cidade de Tiatira. O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo. Atos 16:13-14

Seus companheiros de viagem eram Silas, Timóteo e Lucas. Depois de pregarem o evangelho a algumas mulheres, Lídia, ao que tudo indica uma mulher convertida ao judaísmo, foi convencida pelo Espírito Santo e depois batizada junto com o restante de sua casa. Se olharmos com atenção veremos que do início ao fim Deus guiou tudo para o momento da salvação dessa mulher, primeiro mudando os planos de Paulo, e por fim abrindo o coração dela para acreditar na mensagem do evangelho. É Ele o responsável pela salvação do início ao fim!

Tendo sido batizada, bem como os de sua casa, ela nos convidou, dizendo: “Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa”. E nos convenceu. Atos 16:15

E dali nasceu a primeira igreja de Cristo na Europa.

A experiência de Paulo naquela cidade não foi agradável, ele teve conflitos e até foi preso, porém o carcereiro de onde estava preso veio a se converter e possivelmente se uniu a igreja dos filipenses:

O carcereiro pediu luz, entrou correndo e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Então levou-os para fora e perguntou: “Senhores, que devo fazer para ser salvo? “Eles responderam: “Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa”. E pregaram a palavra de Deus, a ele e a todos os de sua casa. Atos 16:29–32

Por meio das perseguições, açoites e prisão de Paulo e seus companheiros, Deus em Sua Soberania trouxe salvação ao carcereiro e sua casa, o próprio Paulo vai relatar que seu sofrimento produziu glória e expansão do evangelho em Fp 1:12. Quão insondáveis são os caminhos do Nosso Deus. Que nosso sofrimento possa cumprir o Maravilhoso plano de Deus, breve sofrimento esse que não se compara a glória vindoura.

Depois que Paulo foi libertado da prisão e as autoridades pediram que ele deixasse a cidade, Paulo deixou Lucas responsável pela igreja e foi para o oeste em direção a Tessalônica. Durante três semanas difíceis nessa cidade, Paulo por algumas vezes recebeu assistência material e também um encorajamento espiritual da parte dos crentes em Filipo. Forçado a fugir, Paulo foi para Beréia, e então Atenas, e finalmente Corinto, onde ele permaneceu por 8 meses antes de retornar a Antioquia. Durante sua prolongada permanência em Corinto, ele novamente recebeu assistência da igreja dos filipenses. Leia esse relato em: At 16:35 -18:22, 2 Co 11:7–9, Fp 4:15–16

A igreja dos filipenses era tida como uma prova viva do que a mensagem do evangelho faz com o homem, e isso foi uma resposta aos ataques dos judaizantes contra Paulo e sua pregação da salvação pela graça (Fp 4:1). Pois os judaizantes acusavam Paulo de pregar um evangelho que dariam as pessoas a liberdade de serem muito más porque Deus é muito bom, uma vez que as obras não colaboram em nada com a salvação, mas somente a fé em Cristo Jesus, portanto eles pregavam que para alguém ser salvo era necessário ser circuncidado e cumprir a lei mosaica (Gl 5:1–4, Fp 3:2–3). A igreja dos filipenses exerceu um papel fundamental no apoio do ministério de Paulo como vamos ler a seguir, e esteve sempre pronta a doar até mesmo aquilo que lhe faria falta. Isso mostra aos judaizantes que o evangelho não concede uma liberdade ao homem para pecar, ao contrário, essa liberdade conquistada por Cristo transforma o coração e produz frutos que a lei jamais foi capaz de produzir (Gl 5:22–23), e foi exatamente isso que aconteceu com essa igreja, eles foram uma prova viva de como o evangelho transforma o coração, não dando-se por satisfeitos por sustentarem a Paulo em suas dificuldades, quando ficaram sabendo que Paulo estava em uma missão coletando uma oferta para os cristãos pobres de Jerusalém, insistiram com Paulo para também ofertarem, ainda que estivessem atravessando um período difícil, uma grande tribulação financeira:

Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade. Pois dou testemunho de que eles deram tudo quanto podiam, e até além do que podiam. Por iniciativa própria eles nos suplicaram insistentemente o privilégio de participar da assistência aos santos. E não somente fizeram o que esperávamos, mas entregaram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor e, depois, a nós, pela vontade de Deus. 2 Co 8:1–5

Leia também:

Agora, porém, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Pois a Macedônia e a Acaia tiveram a alegria de contribuir para os pobres dentre os santos de Jerusalém. Rm 15:25–26

Finalizando essa parte sobre a piedade dos filipenses, lemos que quando eles ficaram sabendo da situação de Paulo em Roma, eles se esforçaram para levantar uma generosa oferta para o apóstolo, ainda que estivessem passando por dificuldades:

Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. Elas são uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus. Fp 4:18

Na primeira parte dessa introdução pudemos examinar como nasceu a igreja dos filipenses e o papel importante que eles tiveram no ministério de Paulo brilhando a luz da graça de Cristo em boas obras com as ofertas levantadas e o amor que tinham pelo apóstolo. Que grande lição, que possamos ser uma igreja assim, ainda que certos de nossa salvação, brilhando a luz de Cristo em boas obras, sacrifícios e ofertas ao Reino de Deus.

Na próxima publicação continuaremos com a introdução.

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