Ceticismo

Eu estava no Ensino Médio, (uau, 11 anos atrás) e meu professor de história dedicou bastante tempo nos ensinando sobre os mitos da história e como o mito em si torna-se tão importante que nós escolhemos focar no mito. Como ele explicou, esses mitos assumem um papel, relevante e importante no desenvolvimento da nossa cultura. Um dos mitos que causaram bastante furor na sala foi o mito “Edison inventou a lâmpada”.

Ele se aprofundou em grandes detalhes mostrando como Edison era escroto e como ele como ele caluniou muitas pessoas e as processou até falirem. Um dos meus colegas de classe enfurecido perguntou-lhe [parafraseando o melhor que eu consigo me lembrar], “Porque você quer destruir as lendas dessas pessoas? Precisamos de grandes nomes históricos para respeitar, se forem derrubados então não teremos ninguém para respeitar e admirar.”

O meu colega de classe fez um questionamento emocional, ele precisava que o Mito X fosse verdade não porque era Verdade, mas porque seu idealismo dependia de slogans e gritos de guerra por algo que ele sentia que era de maior valor do que “a verdade”. Meu professor de história concordou, ligeiramente, apenas ligeiramente. Ele apontou, como eu frequentemente faço, que as pessoas são preguiçosas e as pessoas querem que a história seja fácil, acessível e rápida. Elas querem que os nossos bons sejam de Inteiramente Bons, e os nossos maus sejam Inteiramente Maus.

Meu professor esclareceu para a classe, assim como eu te faço agora, que o perigo é que isso cria uma experiência humana cíclica em que as lições da história são esquecidas e deixamos de usar pensamento crítico como deveríamos.

Em vez de pirar quando aprendemos a verdade sobre uma coisa, precisamos entender que todos os assuntos são sutis, complexos e não apenas casualmente compreensíveis. Tudo, cada ser humano, cada empresa, cada evento é altamente complexo e detalhado. É por isso que é preguiçoso manter Hitler como “todo o mal que há” e Edison como “tudo de bom que há”.

Resumir dessa maneira nos torna preguiçosos. E por trás dessa preguiça o perigo se esconde na falta de pensamento crítico, perigo que quase sempre é sorrateiro. Ele nos pega quando estamos desprevenidos e logo estamos dizendo, “Transgênicos são maus!”; “Vacinas estão matando nossas crianças!”; “Perca peso fazendo só esse truque!”; “Livre-se da diabetes comendo este superalimento todos os dias!”

Pegando de exemplo o caso de transgênicos; Este é o grito de guerra para um grupo de idealistas, fanáticos que dependem desse mantra exatamente da mesma maneira que fanáticos religiosos dependem da santidade de sua divindade ou causa teológica. São as mesmas técnicas:

Slogans: “Transgênicos são maus!” “Transgênicos está nos matando!”

Afirmações infundadas: “Você sabe que os índios têm cometido suicídio por causa de culturas de transgênicos!”

Ataques Ad Hominem: “Você é, obviamente, muito estúpido para ver a evidência!”

Argumentos espantalho: “O que? Você está trabalhando para empresas de transgênicos? Eles estão pagando para você dizer isso?”

Aperto de botões: “Transgênicos são ruins e você está defendendo essas empresas do mal!”

Histeria / hipérbole: “Bem. Você vai morrer e toda a biodiversidade vai ser destruído por este negócio de transgênicos!”

Mentira pura e simples: “As empresas de transgênicos tem processado agricultores até a falência por razões falsas!”

Post hoc ergo propter hoc: “Bem, desde que começamos a usar transgênicos, [insira coisa ruim aqui] tem aumentado!”

Escolha cuidadosa: “A empresa X processou agricultores por X.” (Nunca explicando os detalhes legais completos)

Viés de confirmação: “Eu li no site XYZ que as pessoas que comem transgênicos estão reclamando sobre doenças X agora.¨

Evidência anedótica: “Desde que eu mudei para orgânicos, me sinto melhor.”

Uma vez que nos casamos com um ideal, uma causa, uma coisa, nos tornamos completamente incapazes de realmente pensar criticamente sobre aquilo. Perdemos o contato com a realidade. Nosso ingresso emocional nos impede de ser objetivos e honestos com nós mesmos. Percebemos ataques contra a ideia como um ataque a nós mesmos e empregamos todos os tipos de falácias lógicas e fanatismo.

Isso soa familiar? Será que alguns desses pontos te lembrou das táticas que pessoas religiosas usam para tentar converter os infiéis?

Há certamente alguns estudos feitos que mostram potencial para o perigo em determinadas culturas transgênicas. Mas o indivíduo fanático com “viés de confirmação” vê esses estudos como os mais importantes, tudo o resto (literalmente, milhares e milhares feitos em todo o mundo) que mostram que os transgênicos são seguros, não contam e são ignorados.

Pegando de exemplo a Monsanto que é uma grande empresa de sementes transgênicas. As histórias sobre como a Monsanto é má são promovidos a evangelho. Pessoas que duvidam são atacadas. As pessoas que aprovam deles são consideradas boas. Mas, como os fatos reais e verificáveis ​​mostram, a Monsanto é apenas uma empresa. É uma mistura de bem e mal (e há sim coisas que eles fazem que não aprovo), mas a Monsanto não é pior do que o Google ou o Facebook ou Microsoft, GM ou Petrobrás. Como uma organização humana, ela faz coisas que talvez não aprovemos, mas a enorme atenção que recebe está inchada por desinformados e fanáticos negando fatos que vêem a sua causa como justa e qualquer “mentira branca” contada para destruir a Monsanto é finalmente boa e justa.

Isso implica automaticamente o oposto? Que a Monsanto é boa e incrível? Não. Isso só significa que o slogan “A Monsanto é má” são alegações são infundadas. Isso significa que é melhor deixar a Monsanto no modo cético de ver as coisas. A neutralidade. A Monsanto pode ser má isso é 100% possível, mas ainda não foi provado e totalmente a afirmação é infundadas pela fonte empírica de materiais que podemos examinar (propaganda não conta, de ambos os lados).

Como um cético, eu rejeito todo idealismo que não pode ser suportado por provas fortes. Pessoas anti-qualquer-coisa podem não estar cortando cabeças no deserto, mas eles estão empregando os mesmos mecanismos mentais e fórmulas que não só permitem que o esse comportamento destrutivo continue, junto com todos os tipos de horrores humanos permissíveis por ideologias e fanáticos.

Ser um cético é difícil. Isso significa que tudo é posto em dúvida. Toda causa. Toda ideia é inspecionada. E quando uma verdade incômoda aparece um cético toma a posição difícil e impopular, porque a verdade é mais importante que o idealismo.

Aparentemente, todos nós precisamos de uma “religião” e aqueles que acham as milenares desagradáveis acharam outras merdas como substitutas perfeitas.

Eu escolho continuar cético.