Animais extremófilos da terra nos ajudam a compreender a abrangência da habitabilidade

Nos confins do planeta Terra, encontramos seres vivos que desafiam os humanos pelo lugar onde vivem e pelas condições que superam. Nos dias de calor, procuramos nos refrescar em baixo de uma árvore ou bebendo algo gelado, isso acontece por que nosso corpo sente a necessidade de equilibrar nossa temperatura corporal. Em geral, nós precisamos manter nossa temperatura em torno de 37ºC, a mínima variação já traz algumas consequências negativas para nosso corpo.

Temos essa limitação pois evoluímos em um ambiente que nos possibilitou que mantivéssemos essa temperatura. Em outros casos, há ambientes que são inabitáveis para os humanos e para a maioria das formas de vida da Terra, compostos por altas temperaturas, ou muito baixas, ou pressões elevadas.

Segundo uma pesquisa japonesa publicada em 2005, da Universidade de Tóquio, há um animal microscópico que sobrevive aos extremos de temperatura, pressão e radiação, podendo habitar os lugares de condições radicais.

O animal Tardígrado é um extremófilo, ou seja, habita em ambientes extremos, no fundo dos oceanos. Esse animal resiste a água fervendo e também às condições abaixo de zero, de acordo com o estudo, a cerca de -270ºC.

Aninais como o Tardígrado refletem que a vida pode se adaptar até aos ambientes mais inóspitos. Além de contribuir para o estudo da Biologia, animais extremófilos também são de interesse dos astrobiólogos. Assim como nos ambientes extremos do planeta Terra, há planetas que possuem características semelhantes, como as altas temperaturas e presença de radiação.

O planeta Terra abriga formas de vida tão diferentes entre si, pois, na Terra, cada ambiente corresponde a uma temperatura diferente, assim como sua vegetação, umidade e outros fatores climáticos. A existência de animais extremófilos revelam que a vida é mais abrangente do que se acreditava, possibilitando novas abordagens ao conceito da vida que, por enquanto, é limitado as noções vida que temos aqui em nosso planeta.

O estudo da Astrobiologia busca pela vida fora do nosso planeta e, como nem todos os planetas tem condições de habitabilidade favoráveis, resta aos astrobiólogos procurar por formas de vida diferentes das que encontramos aqui na Terra, ou mais semelhantes aos extremófilos.

Um exemplo de ambiente inabitável por humanos é o planeta Marte, que possui condições climáticas que são totalmente prejudiciais a qualquer ser humano que tente morar por lá. Segundo a NASA, recentemente foi descoberto que havia água líquida em Marte, pois encontraram um leito de rio de 100 metros de comprimento. Essa descoberta trouxe euforia aos cientistas que buscavam vida no planeta vermelho, pois, sabemos que a água é fundamental para a sobrevivência da vida da forma como a conhecemos.

Apesar da presença da água, o planeta Marte ainda poderia ser considerado inabitável para a maioria das formas de vida daqui da Terra, pois possui temperatura média de -63ºC, além de outras condições climáticas desfavoráveis. Caso haja alguma forma de vida em Marte, provavelmente será relacionada aos extremófilos, minúsculas criaturas com resistências impressionantes.

Representação artística de um Tardígrado, ou Urso D’agua. (Fonte Wikimedia Commons)