Três filmes para entender a crise da privacidade digital

Que tal um post-it na webcam enquanto não usa ela?

Felippe Franco
Mar 9, 2017 · 3 min read
Joseph Gordon-Levitt é o melhor Snowden que Oliver Stone poderia encontrar | foto: divulgação

Era junho de 2013 quando descobrimos que a Agência de Segurança dos Estados Unidos (NSA) sabia mais sobre a intimidade das pessoas do que se imaginava. O escândalo de espionagem foi ganhando forma e uma repercussão cada vez maior. Da webcam do seu notebook ao telefone da ex-presidente Dilma Rousseff, nada parecia mais tão seguro. Hoje se sabe que quase tudo pode ser interceptado.

Essa semana, quando achávamos que a poeira tinha abaixado, Edward Snowden voltou a acenar do exílio (o ativista está abrigado na Rússia) com novidades pouco tranquilas.

Segundo o ex-agente da NSA, novos documentos revelados pelo WikiLeaks indicam que os Estados Unidos pagaram secretamente para que celulares, computadores e TVs continuassem vulneráveis. Em outras palavras, falhas são deixadas intencionalmente no sistema para permitir o acesso externo a câmeras e microfones desses equipamentos.

Por quê isto é perigoso? Porque até ser fechado, qualquer hacker pode usar o buraco de segurança que a CIA deixou aberto para invadir qualquer iPhone do mundo”, explicou Snowden em um dos posts.

O alerta também valeria para aparelhos que rodem Android ou Windows, TVs da Samsung e a criptografia do WhatsApp e Telegram. As informações estão em documentos da CIA vazados supostamente por ex-funcionários da própria agência — que não confirmou nem negou a autenticidade.

Snowden (agora de verdade) e Glenn Greenwald decidem jogar tudo no ventilador | foto: divulgação

Mesmo levando em conta as primeiras acusações, há quatro anos, parece que ainda estamos dentro demais do acontecimento para entender a sua dimensão. É possível que leve tempo para termos noção dos reflexos dessa exposição e de todos os desdobramos políticos. Mas preocupação com a privacidade digital já vem ganhando seus registros no cinema.

O filme leva o nome do ativista, interpretado com precisão quase cirúrgica por Joseph Gordon-Levitt. A história acompanha sua carreira promissora até os bastidores da primeira reportagem que desmascarava a NSA. Contrariado com as práticas da agência, o então funcionário recolheu provas e contou o que sabia para os jornalistas Laura Poitras e Glenn Greenwald. O episódio rendeu o excelente thriller dirigido por Oliver Stone.

E como garantir que a tensão dos momentos decisivos da obra de Stone é fiel aos acontecimentos? Bom, a notícia boa é que tudo foi registrado de verdade e está neste documentário — vencedor do Oscar na categoria. Enquanto Glenn relatava as denúncias ao jornal britânico The Guardian, Laura fazia imagens para produzir o filme. Tudo aconteceu em 8 dias, escondidos em um quarto de hotel em Hong Kong com cuidados reforçados para evitar espionagem.

Certamente você tem dezenas de cadastros espalhados pela internet: e-mail, redes sociais, armazenamento online, lojas virtuais. Mas você já parou para ler os termos de utilização antes de clicar em “aceitar”? O trailer desse documentário avisa de cara: “o maior golpe da história não envolve tomar dinheiro, é sobre pegar a suas informações”.

O filme investiga o conteúdo (e alterações) dos contratos que costumamos ignorar em sites como Google e Facebook. O diretor Cullen Hoback recorre a especialistas de diversas áreas para entender os aspectos positivos e negativos da coleta excessiva de dados pessoais. Porque, às vezes, você nem precisa do governo americano para ter a privacidade invadida.

(ative o closed caption para assistir legendado)

Publicado originalmente no Radar Criativo.

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