Porque estou indo embora de São Paulo

O ano de 2014 foi um ponto de virada em minha vida: saí da casa da minha mãe e fui morar sozinho, fiz um mochilão para o Chile, Bolívia e Peru, minha primeira viagem sozinho, porta de entrada para um novo mundo e também um caminho sem volta. Voltando, um namoro de vários anos foi ao fim, minha vontade de viajar continuamente aumentou, comecei cogitar morar fora do país, porém uma oferta de emprego tentadora deixou esta vontade em pausa.

Ao longo de 2015 conheci o Brasil de norte a sul: Blumenal, Salvador, Ilha do Mel, Chapada dos Veadeiros, Manaus, Ilha Grande, Paraty, Campos do Jordão, Florianópolis, Chapada dos Guimarães, Arraial do Cabo… Praticamente uma viagem por mês!

Organizei minha renda em favor de meu passatempo favorito, cortei gastos em coisas que me dão ressaca física, financeira e moral: compras, bares, baladas… Voltei a meu namoro finalizado no ano anterior.

Meu emprego que proporciona dinheiro, aprendizado e o vislumbre de uma carreira profissional cobra seu preço: noites de insônia, irritação e stress.

O Brasil afunda em uma crise política e econômica crônica sem fim e começo a me sentir numa bolha, uma ilha de prosperidade em um mar de lama, sendo atingido por respingos de sujeira aqui e ali.

Desemprego, violência, impunidade, poluição, trânsito, intolerância vs trabalho, dinheiro, carreira, estudo e lazer.

São Paulo é uma cidade que te dá mas que em troca te tira, quase como vender sua alma para o diabo. É possível ter qualidade de vida aqui, é sim, mas ela tem um preço: seu tempo, seu dinheiro, sua saúde física e mental.

Exatos 2 anos após minha primeira epifania, minha vida entra em um ponto de virada novamente. A conclusão é que os contras ganham dos prós e infelizmente minha terra natal não serve mais. Vou ter que abandonar Sampa para viver novos lugares e experienciar novas sensações. Não sei se para sempre, posso me arrepender, mas a graça da novidade e do desconhecido é o que me move, prefiro me arrepender de ter feito de que não ter feito.

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