13–05–15

Enquanto ouvia música em um trem do Metrô, me lembrei da melancolia com que sempre ouvi Joy Division. Achei engraçado como um mesmo sentimento pode ter tantas vertentes. Quero dizer, naquele momento, eu sentia a mesma coisa. Mas a mesma melancolia que me afogava, agora me coloca em chão bastante sólido. Me ambientava. Talvez eu tenha me tornado uma criatura da água, talvez tenha aprendido a sobreviver no ambiente em que tanto me asfixiei. Evolução. É engraçado como em um mundo cada vez mais habituado a encontrar transformação, essas guelras são capazes de causar tanta estranheza. Até no espelho.

O trem seguiu e, em determinado momento, me dei conta de que estava em um daqueles momentos em que reparamos a velocidade do trem percorrendo os túneis. Nesse momento costumo sempre achar que o trem parece ir rápido demais. Mais rápido do que deveria. Naquele instante, passei a sentir aquele delicioso impulso de morte que as vezes me ocorrem (Psicologia, dizem). A vontade era que o trem acelerasse, sim. Cada vez mais. A música era boa, a velocidade, a temperatura, a luz hospitalar. A desaceleração me causou um leve êxtase. Meio sorriso. Estação Luz, desembarque pelo lado esquerdo. Continuei sentado.

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