Felipe Flores

Uma linda história


Naquela fria manhã acordei às cinco, horário usual. Fiz a barba, tomei banho e me aprontei para sair, não antes do café quente e encorpado de todas as manhãs, frias ou quentes. Com meu traje social, peguei minha bicicleta, transporte prático e muito bem vindo às manhãs frias, não digo o mesmo às manhas quentes. Estava saindo de casa quando o pneu furou. Maldito pneu. Tive que pegar o ônibus.

Foi no ponto de ônibus que minha história teve início. Era linda aquela moça sentada ao meu lado. Ninguém mais estava lá. Eu com um relógio, ela querendo saber as horas — oras, pensei, ela provavelmente sabia que horas eram, deveria estar habituada a pegar o ônibus, ou não, poderia estar em situação parecida com a minha. Ainda assim, ela provavelmente tinha um celular. Ela quis puxar assunto — Seis em ponto, respondi. E ela com um sorriso tímido, agradeceu, e disse que seu nome era Mary Ann.

Acabamos pegando o mesmo ônibus. Entrei na frente e sentei no fundo do ônibus, que para a minha surpresa, tinha lugares vazios, apesar de algumas pessoas de pé. Ela sentou ao meu lado. Conversamos. Trocamos números — ela estava com o seu celular, como imaginei — e nos despedimos quando ela precisou descer.

Mais tarde, no mesmo dia, ela me mandou uma mensagem, perguntando se eu topava encontrá-la após o expediente. Eu topei. E nos encontramos às sete e meia. Em um pequeno bar que tinha música ao vivo — sugestão dela. Descobri que ela morava a duas ruas da minha. Descobri que ela tinha um pug chamado Bob e que o seu carro não quis funcionar de manhã. Destino ou acaso, pouco importava. Mary Ann era radiante. Pele clara, cabelos pretos e olhos castanhos. Um pouco mais baixa que eu. Sorriso lindo.

Depois de algumas cervejas, acordei com aquele sorriso ao meu lado, acompanhado de um corpo sem roupas. E assim acordei por várias manhãs que seguiram. Era uma linda história de amor. Eu era feliz.

– Oi, que horas são?

– Seis em ponto

– Obrigado. Mary Ann.

– Oi?

– Meu nome, Mary Ann.

E entrou no ônibus que passou logo em seguida. Eu nem percebi que era o meu ônibus. Tive que esperar por mais meia hora. No dia seguinte Mary Ann não estava lá.

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