Comportamento: A selfie é pop

A selfie é pop.

E eis onde quero chegar.

Em meados dos anos 60, Andy Warhol, um dos responsáveis por tornar pop o pop art, utilizou a técnica da serigrafia para representar personalidades e elementos da cultura pop. Foi de Coca-Cola a Mao-Tsé. O culto à cultura de massa era elementar na composição de um obra arte pop. As obras de Warhol retratavam o que todo mundo já sabia e, principalmente, consumia.

Na liquidez dessa modernidade, a selfie surge não como um retrato mas sim um autorretrato que revela o comportamento narcisista, consumista, carente e extrovertido do homo virtualis.

A selfie é fruto da tecnologia smartphoniana, uma tecnologia tão comum como a banana na fruteira do brasileiro de classe média. Uma foto de rosto tirada com uma câmera frontal de um dispositivo móvel é só uma foto. Mas se você partilha esta foto em uma rede social, logo temos uma selfie. Resumindo, a selfie só é uma selfie se compartilhada em uma rede social.

Como um produto, a selfie revela, além dos comportamentos acima, uma tendência, uma atitude popular, e que vem acompanhada de subprodutos culturais da contemporaneidade. Assim, a selfie é mais pop que o pop art de Andy Warhol.

Andy Warhol / Konica C35-EF 2