Crônicas sobre passar dez dias em silêncio:

2- Mente
Com afirmação eu posso dizer que ela foi a minha maior companheira desses dias. Descobri o quão gigante e controladora ela é, quantas memórias guarda, e quantos futuros imagina. No início ela me convenceu de que eu iria embora, fitei minha mala algumas vezes e quase tirei os lençóis da cama. Inconscientemente a mente me fazia acreditar que eu era fraca, e que nunca conseguiria completar os dez dias, mas algo maior dentro de mim, a tal da consciência, sabia que eu não deveria ir embora, então fiquei. E repito, não foi fácil, muitas vezes ouvia os aviões passarem e pedia “me leva”. É engraçado, mas me mostrou quem é essa mente, e quem é a matéria. Me levou aos extremos da felicidade e da tristeza, da saudade e do querer ficar.
O tempo todo se trabalha na limpeza da mente, na consciência do momento presente, em dez dias fiz uma limpeza brutal, mesmo ainda um pouco superficial, encarei os sofrimentos e erradiquei-os. Hoje me deparo com muitos outros que surgem e somente através da meditação consigo lidar com eles, somente através de mim mesma consigo lidar comigo mesma e com a poderosa mente. Parece até uma contradição de conseguir limpar e ao mesmo tempo ainda ter sofrimento lá dentro, e essa é a constante batalha de cada dia que se lida com o mundo externo, por isso tão importante o silêncio, tão importante estar só e prestar atenção apenas em si. Somente após aprender a viver de fato no momento presente aceitando tudo o que é, que nos livramos de toda negatividade, e então podemos compartilhar todo amor, paz, e harmonia que há dentro.
