Crônicas sobre passar dez dias em silêncio:

4- Consciência e equanimidade
Há uma maneira boa de começar essa crônica, mesmo sendo repetitiva, é importante reforçar: não é fácil. Confesso que não conhecia a palavra equânime antes desse retiro, as primeiras vezes que escutei não estava entendendo do que se tratava, e como não podia falar, não pude perguntar, então como tudo é impermanente, minha dúvida foi esclarecida, de maneira prática e ao longo dos dias. Equanimidade significa constância, igualdade de temperamento, no caso do meu aprendizado de dez dias, significa a não reação. Os momentos de Addittana (ficar sentado sem se mover por uma hora) é quando se aprende no físico e no mental, o real valor da palavra equânime. Nunca foi tão difícil aprender uma palavra, e ao mesmo tempo tão satisfatório. Permanecer equânime a todas as coisas. Desafios que dentro dos dez dias é possível vencer e sentir o quão bem isso faz, mas quando vai para fora e entra em contato com o mundo externo, a equanimidade muitas vezes passa longe. E como conseguir permanecer equânime a todas as coisas? Através da absoluta consciência, ou seja, da presença. Quando estamos presentes, nada pode nos puxar para baixo, e nenhuma negatividade nos atinge, porque não reagimos à isso, então não alimentamos o ódio e nem guardamos para si, o que geralmente acontece. Muitas vezes achamos que “vai passar”, ou “melhor não falar”, pode resolver, e muitos anos depois nos deparamos com esse sentimento que guardamos, que esteve ali o tempo todo nos fazendo mal, e porquê não nos damos conta disso? Porque estamos inconscientes. Parece um looping, mas já disse e repito, tudo termina onde tudo começa, no “eu”. Nós criamos coisas, guardamos sentimentos, nos reprimimos, somos críticos, agressivos, reagimos à todo e qualquer tipo de comentário, por um lado compreendo que somos seres humanos, completamente abertos à fazer todas essas coisas, mas depois que conheci o caminho de Dhamma, o caminho da iluminação, me torno mais consciente dessas reações, e aprendo a não reagir, mas sim a agir com compaixão, amor, paz e harmonia, esse é o verdadeiro caminho da luz. Acredito que se você leu esse texto aqui, não acha que é bobagem essa ideia de seres de luz, e eu acredito muito na possibilidade de que cada um possa conhecer esse caminho para evolução espiritual, por isso escrevo aqui para compartilhar com vocês um pouco dessa experiência e dos meus passos nessa trajetória. Compartilhar amor sem esperar nada em troca, não espero que leiam, ou que gostem, ou que não gostem, mas faço aqui a minha parte da maneira mais generosa e pura que posso. Namastê.
