O que você precisa saber sobre o feminismo

Por: Daniela Lopes

O feminismo é um movimento social que busca a igualdade entre os gêneros masculino e feminino em todos os âmbitos em que a gente vive. Essa seria a explicação mais simples. Seja no trabalho, na faculdade, na escola, na família e dentro da nossa casa, essa igualdade, que está mais para equidade, não existe por conta do sistema patriarcal que rege boa parte do mundo. Aqui no Brasil, esse movimento passou a ter notoriedade na década de 70. Sim, o feminismo brasileiro nasceu debaixo de ditadura. Onde a censura ocupava todos os espaços e cessava as liberdades de expressão individual e da imprensa. O feminismo busca até hoje as mesmas oportunidades para mulheres que os homens têm e questiona a supremacia masculina, que tanto objetifica as mulheres e cessa seus direitos. Isso existe por uma série de questões semióticas, mas pode-se dizer que a Igreja tem grande influência na construção do machismo estrutural da nossa sociedade. A Igreja sempre colocou a mulher como objeto de satisfação e de uma forma inferior em relação a um homem, sempre a tratou como um ser sem autonomia alguma, sempre dependendo de uma figura masculina para exercer domínio sobre ela. Aquelas que não se encaixaram, foram queimadas. Hoje em dia o correto seria falar de feminismoS, vertentes diferentes do movimento que existem por conta das diversas camadas de preconceito e dificuldade que as pessoas enfrentam em seus locais de fala, e que precisam ser discutidas e conhecidas. s que existem atualmente são:

Feminismo Liberal

A vertente liberal do feminismo teve origem no Iluminismo e considera que homens e mulheres são iguais e que ambos devem ter a mesma liberdade individual. Não há diferenciação de sexos aqui, apenas seres humanos com os mesmos direitos. As mulheres consideradas “libfems” são geralmente muito criticadas por outras mulheres que acreditam em outras correntes, por considerarem que as feministas liberais são muito maleáveis com os homens e suas atitudes.

Feminista Radical

O feminismo radical nasceu nos Estados Unidos e acredita na constante opressão dos homens sobre as mulheres, na dominação masculina por meio de um sistema patriarcal. Isso se manifesta na economia, nas relações sociais e na política. É comum ver mulheres que seguem essa vertente não tolerarem os homens, pois os veem como rivais, beirando o misandrismo.

Feminismo Marxista

O feminismo nessa corrente veio da teoria da luta de classes de Marx. As mulheres adeptas dessa vertente acreditam que no meio dessa luta de classes, as mulheres saem ainda mais prejudicadas por conta do gênero no sistema capitalista.

Feminismo cultural

O feminismo cultural acredita que a causa da dominação masculina sobre a mulher se deve ao fato de que culturalmente a mulher é aquela que reproduz, ao estigma da feminilidade, da pureza, e que isso são características que subjugam e objetifica as mulheres.

Feminismo negro

O feminismo negro luta contra dois preconceitos, o machismo e o racismo. Parte da teoria de que as mulheres negras são mais discriminadas do que as mulheres brancas, por conta dos resquícios da escravidão, e pela própria submissão da mulher imposta pela sociedade em relação ao homem. Camadas de preconceito como citei ali em cima.

Feminismo interseccional

O feminismo interseccional busca a igualdade entre as variações de raça, classe social e de gênero das mulheres. Por exemplo, essa vertente do feminismo luta pela mulher que é deficiente, pela que é transexual e por todas as outras que não se encaixam no padrão de mulher branca, de classe alta e cisgênero (quando a pessoa se identifica com o gênero registrado no nascimento). O feminismo interseccional luta pelo direito de existir com dignidade em meio à diversidade.

Agora que você sabe os tipos de feminismos que existem, você pode ver o quanto é importante que ele continue existindo, para que as mulheres possam um dia ter o mesmo espaço, privilégio e direitos que um homem tem. Apesar de ter saído atrás na largada, as mulheres avançaram muito em capacitação, instrução e competências, ou seja, avançaram no que cabia a elas. Agora a sociedade, incluindo as próprias mulheres, precisam enxergar essa realidade e buscar formas de resistência, como a poderosa ferramenta do feminismo, por uma sociedade mais justa.