Sabor de damasco

[_para ouvir ao som de Eclipse Oculto, do Caetano Veloso, aqui.]

Chorar faz bem, mas quem disse isso, com certeza teve apoio da Neosaldina®, para curar aquela dor de cabeça depois — sem falar no inchaço digno de um baiacu. Incômodo tanto quanto pernilongos no verão, uma unha quebrada ou insistir em uma paixonite que é cilada, Bino. Por esse último motivo, derrubei umas lagriminhas aqui, agora há pouco, meio sensível depois de assistir O Sorriso de Mona Lisa, no Netflix. E enxugadas com um mingau quentinho feito pela doce Lia (“sem glúten”, reforçou, mais preocupada com a minha digestão do que com a tristeza, “que passa”, diz ela), um pouco de damascos (que amo!) com chocolate e o meu bom hábito de escrever nesses momentos.

Tudo começou aqui — nesta sala transformada em quarto, com uma sacada envolta por vidros sob o Itacorubi -, quando optei por me apaixonar pelo bairro, tão charmoso e perfeito para mim. Que escolhi, assim como a gostar de tanta gente nessa vida, ficar, até decidir por novos caminhos e visões.

Onde agora digito e ele por acaso esteve, recordo que também foi onde tomei aquela garrafa de vinho maravilhosa e tanto ri com uma amiga. E que várias outras vezes namorei a vista, muito antes de permitir que ele fizesse parte (de um fragmento) das minhas lembranças — muito ínfimo, quando olho para essa paisagem.

Como o chocolate, que cobre a fruta seca, a gente tampa. Disfarça. Encobre. Esconde. E enche-se de novo. Não será a primeira e a última, apenas até a próxima história. A vida segue aqui, com a madrugada entrando no Itacorubi e sabor de damasco. E não desperdiçamos os blues do Djavan. :)

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