O que aprendi como Rolezeira Solitária

Com uns 12–13 anos de idade, quando sofria tanto bullying (por ser gorda e meio nerd) que conversava só com os funcionários do colégio, aprendi que eu poderia me levar para sair e divertir sem ninguém. Ia assistir filmes, saia para tomar sorvete, olhava livrarias… e gostava muito. Foi desde muito nova que entendi que pessoas fora do padrão precisavam aprender ser autossuficientes: tiram nossa humanidade, costumam nos isolar, não somos tão descolados para fazer cia nos rolês e muitas vezes acabamos criando vínculos com as pessoas na bolha dos marginalizados socialmente, o que acaba por incluir pessoas psicologicamente indispostas, falta de dinheiro, amizades morando na periferia, o que dificulta muito saídas.

Eu passei muito tempo achando que seria tirar a carteirinha de “I’m a creep/I’m a weirdo/WTH am I doing here?/I don’t belong here…” se eu expandisse o me levar sozinha para passear se fosse para baladas e festas também… afinal, já passava na minha cabeça os outros pensando “ô, coitada… além de gorda nem amigos para sair a desgraçada têm…” e seus olhares de pena. ̶N̶ã̶o̶ ̶q̶u̶e̶ ̶i̶s̶s̶o̶ ̶n̶ã̶o̶ ̶a̶c̶o̶n̶t̶e̶ç̶a̶,̶ ̶r̶s̶ Mas resolvi esse ano botar a cara no sol e ir sozinha (além de cinemas, restaurantes e andar por aí) para baladas e festas SIM e vem sendo ótimo!

Primeiro que eu posso resolver de última hora sair e simplesmente me arrumar e ir;

Segundo, não fico dependendo da vontade/necessidade de ninguém para ir embora ou ficar mais;

Terceiro, eu tenho certeza que ninguém vai beber até vomitar e ligar para o ex (por exemplo).

Veja bem, eu amo minhas amizades, gosto de cuidar delas, mas às vezes eu só quero não ter preocupações e me divertir até não aguentar mais. E não é egoísmo, não podemos viver o tempo todo pelo outro e precisamos fazer coisas por nós também. A saúde mental agradece.

Então comecei explorar a noite paulistana sozinha… e na verdade nunca fico o tempo inteiro sozinha… pois quando vejo alguém vem falar comigo, estou puxando papo com alguém, tô dançando e cantando com uma pessoa que nunca nem vi e nunca mais verei, e curiosamente só atraí gente legal, fofa e com aquela energia gostosa. Os olhares de dó ou falas de “poxa, sozinha?” acontecem… mas estar me divertindo sem precisar me preocupar com os outros e fazendo o que eu quero é tão bom para o meu emocional (e físico também) que abstraio com facilidade. Eu finalmente descobri que posso ser plena sozinha ou sem pessoas que eu possuo vínculo emocional… e isso é uma descoberta incrível para uma mulher gorda que tantas vezes se depara com a solidão.

A solidão das pessoas fora do padrão existe, mas não é algo que precisa ser discutido exaustivamente pois ninguém vai passar gostar/se atrair por nós magicamente ao saber que acontece. A gente precisa falar sobre independência emocional, autossufuciência, desconstruir o amor romântico e trabalhar temas como padrões, gordofobia, racismo, capacitismo… se ganha muito mais e criamos pessoas mais fortes e menos suscetíveis aos relacionamentos abusivos.

Como Lobo da Estepe, o processo de aprender aceitar e curtir a solidão vem sendo lindo além de ser essencial… nos colocam tanto a felicidade, amor na figura de um terceiro que esquecemos de nós. Quantas vezes você não ficou chateado em casa querendo ir para um lugar mas ninguém queria ou poderia ir? Se eu posso te dizer uma coisa, é: quer ir? pode ir? então vá!