Uma bobeira
Eu achei que tinha total controle dessa situação. Isso tudo com um pouco de presunção, afinal eu estava tentando algo que eu jamais fiz, mas eu tinha decidido isso com tanta clareza que parecia muito óbvio… Óbvio demais? No final, não importa a sinceridade que você vai colocando nas coisas porque realidade é tão relativo que pode variar de fofoca em fofoca. Eu achei que eu tinha conseguido ter o controle disso tudo, que a minha honestidade, tão envergonhada, conseguiria conquistar o espaço da sua honestidade, mas no fim permaneci sendo apenas o que eu sou sempre. É muito triste isso de se esquecer. Eu me esqueço tanto que muitas vezes não sei o que eu quero de verdade porque vou me guiando pela vontade alheia. Ele me disse que queria e eu achei que eu quisesse tanto que até me concentrei nisso e, entenda, não quero soar como se não o sentisse porque é tão claro que a quilômetros de distância eu sei que as pessoas o notam, mas nunca foi tanto quanto as pessoas pareceram achar que era e eu, com o tempo, comecei a aceitar que era isso sem jamais me perguntar verdadeiramente o que era que eu queria fazer. Talvez a culpa seja minha mesmo, não apenas por deixar-me levar em meio a um turbilhão de atrações fúteis que deveriam silenciar-se com a intimidade e, sobretudo, depois de tanta e tanta e tanta merda jogada sobre mim por conta delas; mas também porque eu acho que muita parte das confusões que se criam é por conta do tipo de relacionamento que eu acabei criando aqui. Não entendo bem se eu lhes regalei o meu carinho querendo uma segunda intenção ou não. Eu gostaria de dizer com segurança que não, mas os limites desse fato eu realmente não consigo estabelecer. Sei que uma coisa que era tão pequena foi ganhando muito espaço em mim por um conjunto de expectativas criadas sobre mim e sobre aquilo tudo que supostamente eu estava fazendo, ao passo que eu jamais considerei que eu estivesse fazendo qualquer coisa verdadeiramente porque eu apenas estava seguindo o que eu sempre faço. Tudo isso para no fim dizer que, apesar de ter tentado algo novo, eu segui a minha mesma confusão para cair no fato de que o meu problema nunca foi não lhes dizer a totalidade dos meus sentimentos, senão a minha incapacidade de fronteirar com clareza tudo o que eu sinto e tudo o que eu faço. No fim, tudo em mim vai se mesclando, desde os diferentes tipos de sentimentos até as expectativas. Que bagunça que você fez de novo, Fernando. Que merda. Nunca consigo aprender nada.
