Mosqueteiros e outras saudades

A metafísica do fim e o empirismo da dor

Canela — julho/2017

Sob algumas marcas se encontram passados, veias e artérias… tensionando padrões estético-patológicos e os convertendo em vícios. A dependência sempre foi meu forte: química e física, de amor e poder. Mas não seria a ajuda, então, algoz desse martírio? Qual nome daremos para a ciência desse estudo sujeito-objeto? Não, eu não seria tão pretensioso…

Olho as estantes vazias, às vezes até sem estantes. Qual foto colocaremos no mural? A da praça em Montevidéu, do Café Colonial ou de algum carnaval no Sarandi? Em São Paulo, Torres ou Terra de Areia?

“Prefiro que não sejam as dos festivais, essas perderam valor… pelo menos pra mim”. (sic)

Qualquer entendimento é mórbido. Quisera eu ser ignorante — não fui atendido.

Padeço de pecado mortal e desvencilho-me da fisiologia noturna normativa. Culpa e martírio não convêm no momento, evidentemente, mas é só o que resta — ao menos o primeiro.

A quem pertence de fato? Existe uma memória universal? A quem se recorre para saber a verdade quando ninguém parece sabê-la? Quem disser que sabe está mentindo.

‘Memória’ seria algo bom de se ter se a vida não fosse refém da desordem. A espúria lembrança que guardo é alocada com delicadeza e exatidão dentro de mim. Quase cirúrgico, eu diria…para não machucar até o momento certo nem fazer sorrir no momento errado. Milimetricamente calculado para me torturar à céu aberto sem levantar suspeitas — de mim ou de terceiros.

Inoperantes e enferrujados, martelamos concepções nas madeiras mais grossas que encontramos. O momento é rude e aparentemente com todos.

“Não teremos fotos”, decidiram. Eu aceitei.

Olho as estantes vazias… não tenho mais estantes.