Primeiro obstáculo no caminho da reinvenção profissional: o muro do NÃO

Como relatei no artigo anterior, voltei ao Brasil depois de quatro anos fora do mercado editorial com a necessidade urgente de me reinventar.

Não apenas porque o mercado não tem mais tantos lugares disponíveis para um jornalista com 27 anos de experiência, mas principalmente porque, depois de tanto tempo dentro de algumas das maiores redações brasileiras, o jornalismo não mais me encanta.

E sem encanto, não há felicidade.

Perseguir a felicidade nunca foi tarefa simples. Como bem me alertou a Ana Claudia Braun Endo no comentário que deixou no artigo anterior:

Reinventar-se profissionalmente (no meu caso, aos 46 anos de idade) não é fácil.*

A palavra que mais frequenta meu imaginário, nesse início, é o NÃO.

NÃO sou empreendedor, NÃO sei administrar um negócio, NÃO sei fazer marketing próprio, NÃO nasci para vender, NÃO sei inovar, NÃO consigo pensar por onde começar, NÃO vou conseguir!

Como pequenos tijolos, os NÃOS se somam para formar um muro que fecha meu caminho. A saída clássica para esse tipo de situação, sugerida por 9 entre 10 coachs, deve ser bem conhecida de vocês: parar de olhar para o que você NÃO sabe e criar uma lista das coisas que você é capaz de fazer.

Bem, no meu caso, essa é uma saída que prefiro evitar, pelo menos por enquanto. As coisas que eu sei fazer me apontam para um caminho que eu NÃO quero trilhar.

A tentação de transformar esses NÃOS num muro de lamentações é grande. E eu quase sucumbi. Quem me salvou, de novo, foi minha esposa. Com a sugestão de redesenhar o modelo de negócios da Foto-Legenda, a empresa que nós dois fundamos juntos há 11 anos para prestar serviços editoriais para grandes grupos de mídia.

Claro que eu NÃO sabia como desenhar um modelo de negócios. (Sem qualquer vergonha de assumir isso aqui.)

Era mais um tijolo no meu muro, mas esse era diferente. Se eu não sei como fazer, eu posso aprender. Agarrei-me a essa fresta para começar a escalar o muro do NÃO.

Aprender a desenhar um Modelo de Negócios não é difícil. O livro clássico sobre o tema, Business Model Generation, de Alexander Osterwalder, é bem didático. Mas antes de qualquer coisa existe uma pergunta importante a ser respondida:

Se não quero fazer o que sei, então o que eu quero fazer?

Eu quero fazer o que gosto. E o que eu gosto de fazer? Bem, posso imaginar uma extensíssima lista, mas vamos afunilar a resposta para as coisas relacionadas às habilidades profissionais que eu comprovadamente desenvolvi em todos esses anos.

Eu gosto de ler. Eu gosto de escrever. Eu gosto de ouvir as boas histórias que todo mundo tem para contar.

O desafio agora: transformar isso num modelo de negócios que não me mande de volta para uma redação. Será possível? Veremos o que consigo inventar até o próximo artigo.

Até lá.

*Não quero cometer injustiça com a Ana Claudia: ela também me incentivou ao explicar que, apesar de ser difícil, reinventar-se é tudo de bom!

(Texto originalmente publicado no LinkedIn)