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O Rio Grande do Sul açoriano

Com a falta de precisão das linhas territoriais demarcadas pelo Tratado de Tordesilhas, Espanha e Portugal mantinham seguidas guerras pelas terras do extremo sul da América e buscavam um outro acordo que lhes possibilitasse uma melhor relação.

À coroa portuguesa, interessava a região dos Sete Povos das Missões, localizada no noroeste gaúcho e de posse da Espanha, que por sua vez visava o domínio da Colônia de Sacramento, território colonizado pelos portugueses no sudoeste do Uruguai. A troca entre territórios foi firmada diplomaticamente no ano de 1750 com um novo tratado entre as cortes.

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O Tratado de Madri, resultado do casamento do então rei da Espanha, Fernando VI, com a princesa de Portugal, Bárbara de Bragança, foi o primeiro a determinar limites naturais como fronteira, e determinava que os índios missioneiros deveriam abandonar suas reduções a fim de evitar possíveis ataques aos portugueses. Assim, a terra deixada precisava ser povoada por lusitanos.

Com um fraco desempenho econômico e a escassez de alimentos devido ao inchamento populacional nas ilhas, o povo açoriano foi o escolhido pelos portugueses para habitar a terra conquistada com o novo tratado. Deste modo, cerca de 1.273 açorianos desembarcaram em Rio Grande entre os anos de 1750 e 1754, sendo 120 deles — sessenta casais — levados para Porto de Viamão, hoje Porto Alegre.

No ano de 1756, com a região das Missões já ocupada por completo, muitos dos açorianos restantes permaneceram na capitania de Rio Grande, que anos depois — 1763 — viria a ser atacada e dominada pelos espanhóis. Esse ataque desencadeou uma nova série de guerras e, por conseguinte, a disseminação do povo açoriano, uma vez que a migração se fazia necessária tanto em terras rio-grandenses como no território uruguaio.

A paz entre os países europeus só se deu, finalmente, em 1801, tendo Portugal sido beneficiado com a expansão de suas terras em toda a fronteira. Com a dilatação do território lusitano e o tráfego livre pelo estado, os ilhéus e seus descendentes constituíram a mais numerosa força étnica povoadora do Rio Grande do Sul.

Fonte: Casa dos Açores do Rio Grande do Sul