Pouco antes das 05:32

São quase cinco da manhã e sinto que não devo dormir. Sei que se eu deitar vou apagar até que o alarme das 6 toque, mas o segredo está aí. Eu não quero apagar.

No meio da noite eu acordei com febre, sentindo muito frio. Tomei meu remédio e sinto que já melhorei. Mas eu precisava mesmo acordar pra sentir esse momento.

Nesse momento você ainda não leu o texto que te mandei. Na verdade ainda nem o recebeu. É curioso pensar que ele está em um lugar mágico entre eu e você, mas que simplesmente não dá pra fazer com que ele volte.

Cada palavra que eu mudaria e sentença que rescreveria estão ali na frente da sua porta. Esperando você desbloquear a tela do celular, ligar a internet e abrir o whatsapp. Para ler os 5 parágrafos mal estruturados, palavras repetidas e conceitos clichês.

Que frustrante perceber que não consegui escrever tudo o que senti. Talvez meu último parágrafo tenha sido o mais certo, justamente por ter sido um término. Tudo o que eu tentei falar e não consegui, acabou ali. Ele evitou que tudo fosse um desastre.

Vai ver eu não sei mais escrever. Eu já não sei falar muito bem sobre meus sentimentos. Talvez seja esse o meu erro. Talvez eu deva sentar e perguntar sobre a vida. Sobre a gente. Sobre o passado. Sobre você.

Convívio não é amizade, não é mesmo? De que me adianta escrever tal texto se eu mesma não pergunto mais sobre as coisas?

Me desculpe. As vezes tenho medo de ser invasiva, dramática, estar atrapalhando, fazer reflexões muito profundas ou fazer a bad surgir. Queria que tudo fosse alegre, descontraído e divertido. Mas acontece que a vida não tem como sempre ser assim, não é mesmo? As vezes podemos só conversar e tudo vai estar bem. Não precisa ser alegre e divertido. Preciso aprender isso.

Porque nesse momento eu não sei muito bem o que ta acontecendo comigo, mas sinto que estou fazendo algo muito errado. De alguma maneira eu não quero que isso chegue a você. Porque você é ótimo.

Não fuja dos meus elogios. Você é lindo. Inteligente, comprometido, dedicado, engraçado, carinhoso. E por baixo de toda essa “alegria, descontração e diversão” sempre vi um bom coração. Não costumo errar nisso.

Meu bem, talvez seja difícil de acreditar, mas ando me sentindo insegura. Todo esse poço de ego na verdade consegue ver que não está “tudo bem” o tempo todo. E que na verdade, na maioria das vezes não está.

Pois bem, agora sinto que este é um daqueles momentos que apareço com reflexões muito profundas totalmente do nada. Foi mal se foi demais. Nunca sei quando é.

Mas é que eu sinto falta de conversar. Sobre a vida, o mundo e tudo mais que já escrevi uns parágrafos acima. E é aí que começo a falar sozinha. Escrevendo cada um dos meus pensamentos, na esperança que eles façam o mínimo sentido e eu consiga ser um pouco menos bagunçada do que sou.

A tormenta é boa, nos faz sentir que a vida está ali. O pensamento positivo faz com que vivamos cada coisa como uma nova experiência que traz coisas boas até nos momentos ruins. Mas muitas vezes precisamos de calmaria. Precisamos simplesmente nos jogar na cama e ter um tempo pra reclamar sobre como cada coisa está fora do lugar e como perdemos o controle de tudo.

Só sei que a cada parágrafo que escrevo penso em como vai ser ver seu rosto amanhã depois de “dizer” tanta coisa. Porque eu quero ser leve pra você, mas sinto que não nasci pra ser assim. Pro desagrado da nação não fui feita seis ou meia dúzia, fui feita oito ou oitenta. E por mais que eu me contenha há momentos como este que eu simplesmente não posso ser menos que oitenta.

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