Don’t wanna be your girl

Eu cruzo sua porta, só quero passar e seguir. Você não deixa, quer se envolver de um jeito bom e leve. Falo o quão insano isso é, mas você chora, faz bico e eu só quero que as lágrimas cessem, então eu concordo. Fechamos o contrato.

Você chega a minha casa, te deixo entrar, mas não bagunça tudo de novo, por favor. É sempre a mesma história. Você aparece, eu perco o sono. “Nossa conversa flui”, você diz. Nos esforçamos para manter o padrão que fingimos ter, só para parecer saudável, para parecer que não é um absurdo reviver tudo isso dessa forma, em tons pastéis. Quando está prestes a ir embora falamos sobre as letras minúsculas do contrato. Seremos sempre bons amigos.

Remarcamos o jantar que nunca aconteceu, o mesmo cardápio que planejamos a três anos atrás. Eu preparo a massa, você traz o vinho mais caro da prateleira. Terminamos a noite com cervejas e uma playlist que lembra o que nunca nos permitimos esquecer. Dançamos no meio da sala, caímos no sofá e você gruda em mim, diz que quer quebrar o contrato. Uso a última força que tenho para te manter longe, digo que é o vinho falando por cima da cerveja e então tu vai embora.

Ouço alguém bater na porta, é você. Me aparece duas semanas depois, exibindo um amor novinho em folha, esfregando ele bem na minha cara. Sorrio e o meu jeito de te responder é desejando que sejam felizes. Você está aqui a 5 minutos e já conseguiu bagunçar tudo em mim.

Quando você sai eu choro, não por você, pela nossa situação. Chorei, mas foi a última vez.