Eu sou o que vocês são

Mania de ser muito grosso, de ter uma cara de enjoado que ao se olhar no espelho sente náusea. Uma cara fechada e no fone de ouvido “Não quero sofrer nessa promessa, faça o que quiser mas não permita-me morrer”. É uma mania de não querer ser nada pra ninguém, nada de ninguém, um dever de não se machucar. Nunca. Está seguro na janela. Só assistindo tudo acontecer.

Mania de nunca pensar no que fala, de se arrepender no minuto seguinte (ou não). Uma gracinha aqui, outra lá. O coração de cabeça para baixo de tão confuso. O jeito mais escroto de falar com alguém e no fone de ouvido “Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar”. Não saber lidar. Nunca. Fecha as janelas e não aguenta mais assistir tudo acontecer.

Mania de se fechar muito, de acordar com o pé esquerdo. Ser indiferente com quem não merece. Querer olhar nos olhos e falar uma verdade. Por mais infeliz que seja. Por mais infantil que pareça. Por mais dura que seja. Por mais que se perca. Mas não, nunca! Sai da janela e se esconde de baixo do cobertor.

Mania de ser errado. De querer ter te conhecido desde antes, há uns anos atrás onde poderiam ser uma possibilidade. Mas leu aquele livro e sabe que há alguns anos atrás era muito jovem para saber amar. Você já soube algum vez? Fecha os olhos e se encolhe na cama.

Mania de segurar tudo, da barra mais pesada até a vontade de te prender no elevador. Se rasgar inteiro (por dentro). Colocar o sorriso no rosto quando se quer gritar. Achar que é diferente de todo mundo e perceber que é o mesmo que os outros são. Explodir.

Silenciar.

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