Quanto a escrever…

Avanço às cegas!

Parei para contar e tenho cinco cadernos e sete bloquinhos. Se contar com os post-its tenho mais uma boa quantidade de pequenos papéis para escrever. Tem também uma infinidade de folhas virtuais no word 2013 — que estou usando agora — 140 caracteres que posso utilizar no twitter e mais uns milhões se juntarmos o Facebook, Tumblr, Medium ou o bloco de notas no meu celular. Eu tenho vários espaços, talvez, algumas palavras e nenhuma coragem de colocar no mundo.

Poderia experimentar te colocar no papel ou me contar. Falar sobre o mundo do jeito que vejo ou sobre os átomos que coexistem no meu ser, neste exato momento, e dos que já foram embora, carregando pedaços do que fui para longe de mim. Um dia eu li que a gente só consegue escrever quando sente de verdade, às vezes eu sinto muito e não tenho uma palavra para colocar no papel ou no bloco de notas, e por isso, sinto muito. Com pesar. Já pediram para contar mais histórias, casos, crônicas, contos. Eu não te conto nada, nem a ninguém.

Mas eu leio, releio e não entendo. Lembro de Caio Fernando Abreu dizendo que palavra mata a gente e quase entendo o motivo de querer me afogar em páginas. No dia que tu me viste escrever falou que doía só de olhar e eu fiquei pensando nessa galera que veio antes de mim e deixou essa lei não dita que tem que doer pra ser bonito, pra ser amor, pra ser bom. Odeio essa ideia e sinto um pouco de raiva quando, sem perceber, acabou vivendo-a. Quem sabe esse não é o motivo que me prende as mãos, os textos e a escrita?

Decidi que vou tentar todo dia um pouco. Uma palavra por vez. Um você por parágrafo. Um eu por texto. Vai saber se não é isso que me falta… Tempo, prática, inspiração. Duas vezes na semana nos encontraremos entre linhas, te falo sobre o que se passa aqui ou o que acho que acontece aí ou em Marte ou no Japão ou se já descobri sobre as águas-vivas, sobre o universo e todo o resto.