Dois visionários da Educação à Distância no Brasil
Fazendo um apanhado da história da Educação à Distância (EaD) no Brasil, dois personagens me saltaram aos olhos. Um anônimo e outro de renome. Nenhum dos dois pertenceu à era digital, mas seus feitos me chamaram a atenção e ambos pelo mesmo motivo, o caráter visionário de suas empreitadas.
O personagem anônimo trata-se de uma professora particular da qual não consta nem mesmo o nome. No entanto, é atribuída a essa mulher brasileira o primeiro registro de uma prática de EaD no país. Em 1900, ela anunciava nos jornais do Rio de Janeiro sua disponibilidade de dar aulas de datilografia por correspondência. Nada menos do que uma mulher à frente do seu tempo, que encontrou uma maneira de distribuir conhecimento usando os correios. Essa professora visionária atentou para o fato de que poderia usar as cartas para ensinar sua habilidade de datilógrafa a aprendizes distantes fisicamente.

Saltando da correspondência, a mais remota forma de EaD no Brasil, chegamos ao rádio, um veículo hoje já considerado uma “velha mídia”, mas que naquele tempo revolucionou a comunicação do país e foi muito útil também para os processos de ensino e aprendizagem à distância. Nas primeiras ondas do rádio no Brasil me deparo com o segundo personagem, esse de renome, Edgard Roquette-Pinto, um dos fundadores da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923. Foi o espírito visionário desse intelectual que o fez enxergar o rádio como um canal ideal para disseminação de conteúdo educativo e cultural. Guiado pela ideia de que poderia alavancar a cultura do brasileiro pela radiodifusão, Roquette-Pinto dizia: “O rádio é a escola dos que não têm escola. É o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre”.

Idealista, Roquette-Pinto levava para a programação da Rádio Sociedade palestras para senhoras, “histórias morais” para os pequenos, aconselhamentos médicos e de higiene, além de informações sobre agricultura. Também vibrava com o teleteatro e suas temáticas sobre literatura, poesia, teatro, cinema, folclore e jazz.

Como um grande idealista, Roquette-Pinto não se rendeu à onda comercial do rádio, que obrigava as emissoras brasileiras a se modernizarem tecnicamente. Recusando-se a se curvar aos espaços publicitários e matérias pagas para conseguir os recursos financeiros e aumentar a potência de sua emissora, Roquette-Pinto vendeu a rádio ao governo. Enxergando muitos anos adiante ele previa que as rádios, adotando uma linha comercial, não voltariam seu tempo para uma programação educativa. E assim se cumpriu o esperado, não com a anuência do intelectual.

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