escolho um jeito maduro de dizer
tantas coisas imaturas que ainda tento esconder
entre acordar e dormir tem muito a fazer
entre muito, se esconde o sentir
e eu sinto, sinto com tudo, por cima da pele
e por dentro, nos órgãos, eles sentem comigo
mas eu não sento com nenhum amigo
faz tempo 
afinal de contas, as coisas, a fazer, não se fazem
SEM MIM.
essa é a injustiça do meu mundo, as coisas. que não se fazem.
elas me regem, me partem, me sofrem.
não me abandonam em nenhum momento.
porque elas precisam ser feitas.
e por aqui, se segue o profeta, 9,5 nem cola.

não sei se vocês conhecem, meu profeta, não ensina na escola.

e o sentir. fica junto com o plantar. 
já comprei a terra e o vaso, já sei onde ele vai ficar.
mas a mudinha eu não comprei, pois vida não pode esperar 
eu fazer, as coisas, que NÃO SE FAZEM SOZINHAS. eu esperei.

sei o que eu quero colher: cheiro, tempero, beleza.
quero regar, e molhar meu pé com o pingo que escorre. 
quero acordar e ver um raio de sol na folha nova, no lugar onde ontem eu tirei a velha
e sorrir pensando, ela não morre.
fazer um doce, com tempero de sálvia e comer a luz de velas.
quero o gosto que o plantar vai me dar.
mas o plantar
vai ter que esperar.
enquanto eu faço coisas, as antigas, as novas, AQUELAS. 
 
eu vejo num vaso, o resto do que foi, uma das favoritas.
amortecida pelo tempo. morta mas com vida. 
pela água que não foi dita, pelos olhos. do regador.
não por falta de amor. faltou entrega, cuidado. 
a vida, que nasce, não guarda rancor. 
eu sonho que em meio a tantas coisas que precisam ser feitas,

ela vai ressurgir em uma primavera com madrugadas longas.

e vai ficar pra sempre. favorita. dita. enfim, uma flor.

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