o dia começando
é como uma prece terminando
tudo que é pedido cessa
enquanto o plano precisa ir desenrolando
uma oração, sim, que seja pro mundo
mesmo que não se acredite
em deus
há sempre algo maior que nos tire
desse submundo

do prazer temporário
onde se paga
com cartão e o amanhã é carga horária
a cumprir
a despir 
a veste do ser, ser
que procura um momento de devoção
que se ajoelha e fala 
não com Ele, mas com o coração
momento solo, pra mim, é onde ignoro o querer
traço uma linha reta, calculo as esquinas
paradas
cessa 
e re-começa. se há ferida, vai arder.
se há fome, nem sempre há de comer.
mas na lacuna da linha reta entre o amém e o por favor, 
há sempre um pouco mais de amor.
de clamor.
a luz invade o dia, mesmo com rancor. 
depois da noite, do pedido, e da fala com o senhor.
senhor dela.
senhor de dentro.

uma luz, após a prece, se não tá pronta: eu invento.