A força das manifestações sociais engajadas através da tecnologia da comunicação

Ao longo da história as transformações sociais foram, de fato, necessárias e eficazes para a evolução do homem em seus mais diversos aspectos… Os avanços tecnológicos ampliaram a rede de comunicação, facilitando e abrindo as portas para um novo modelo social, onde é possível ter voz, opinar e decidir o que pode ou não ser melhor no âmbito em que se vive. E assim, em diversos países as mudanças foram ocorrendo, e a necessidade da população de opinar e se rebelar contra o sistema foi tornando-se cada vez mais frequente e grupos que representavam a maioria dos cidadãos foram crescendo e transformando-se em grandes movimentos sociais, que marcaram a história e contribuíram para mudanças significativas no meio social. Todos estes movimentos contaram com a tecnologia da comunicação como aliada; um recurso que foi fundamental em todo processo histórico para o engajamento social, que vai desde o uso de telefone, até ao advento da internet.

No Brasil, alguns movimentos populares entraram na história e são referência até os dias atuais. O Golpe Militar em 1964, as Diretas Já no ano de 1984, o Impeachment em 1992 e os grandes protestos em 2013, este último desencadeou uma série de acontecimentos que perduram até este ano, 2016. Todos estes movimentos tiveram como grande recurso para unir a população a tecnologia da comunicação; claro, que os fatos antes dos anos 2000, tiveram maior participação da mídia, dos meios de comunicação de massa mais utilizados da época, TV e rádio. Após este período, com chegada da internet, pode-se dizer que foi uma grande revolução para a comunicação humana e consequentemente, para os movimentos sociais, que logo tomaram maior proporção, força e rapidez, em que no ano de 2013, a revolta da população contra o aumento das passagens no transporte público, fez com que muitas pessoas utilizassem as redes sociais, unindo-se para sair às ruas. Este era o início de uma série de protestos e atos populares, que se iniciam através da internet com suas redes sociais, e se estendem em passeatas pelas ruas do Brasil. O uso da internet, com as redes sociais, proporcionou e facilitou a interação entre pessoas no mundo inteiro; o facebook, por exemplo, é uma das formas de comunicação mais utilizada nos dias atuais, de acordo com matéria publicada na BBC Brasil, no ano de 2015, o facebook atingiu a marca de 1,5 bilhões de usuários que acessaram o site pelo menos uma vez por mês. A partir destes dados percebe-se a força desta rede e o quanto ela pode unir pessoas, e foi partindo desta perspectiva que os movimentos sociais recorreram ao facebook para lutar por um propósito, seja ele político, cultural ou comunitário.

Manifestos iniciados no facebook por um Cais José Estelita justo e para todos

É sabido por todos que em diversas cidades brasileiras a população enfrenta problemas com a falta de estrutura e desigualdade provenientes do mau planejamento na urbanização. Na cidade do Recife, o Sítio Histórico e todo o seu redor, tem passado por diversas transformações urbanas, com a construção de prédios, bares… no entanto, ainda se mantém e preserva-se toda sua beleza histórica. Mas um projeto imobiliário do consórcio Novo Recife, formado pelas construtoras Moura Duboux, Queiroz Galvão, Ara Empreendimentos e GL empreendimentos, que visava construir mais de 12 torres residenciais e comerciais de alto padrão, na área do Cais José Estelita, que possui cerca de 101,7 mil metros quadrados causou a indignação de grande parte da população, que começou a reivindicar, onde surgiu o Grupo de Direitos Urbanos, e a partir daí sucessivas manifestações populares começaram a ocorrer na cidade, porém foi através das redes sociais que o movimento ganhou força. No dia 21 de maio de 2014, segundo publicação na Carta Capital, o Grupo imobiliário conseguiu autorização da Prefeitura do Recife para demolir os armazéns de açúcar, mesmo após a Justiça ter proibido qualquer etapa da obra em função da ausência de estudos obrigatórios; Mas sabia-se por parte do Grupo que essa demolição causaria uma grande revolta e agitação pública, portanto, o feito aconteceria na calada da noite, no entanto, um dos ativistas que passava pelo local percebeu o movimento então, logo, registrou tudo em vídeo, e mesmo sendo descoberto e espancado pela segurança da imobiliária, conseguiu espalhar as imagens. Com as imagens e notícias circulando no facebook rapidamente, uma multidão foi até o terreno protestar, e a partir daí diversos ativistas passaram a ocupar o terreno e a protestar simultaneamente nas redes sociais, através de fotos e vídeos, que se espalhavam rapidamente e logo ganharam também a atenção da classe artística do Recife, passando a representar nas reivindicações, o desejo de grande parte da população.

Embora tenha havido alguns episódios de violência contra ativistas e de vandalismo, o movimento é de grande importância na luta a favor da igualdade dos direitos a urbanização de um local que é democrático e que pode ser utilizado por toda população. Após adaptações no projeto que favorecem a população e anulações e recorrências, o poder público irá avaliar e dar o veredicto. Enquanto isso, a população segue monitorando e compartilhando todas as formas de desigualdades, visando um futuro melhor para a cidade. A página no facebook segue com mais de 41 mil curtidas, sempre atualizada, o movimento tem unido as pessoas da cidade na ajuda e na luta pelo direito a moradia, além de organizarem bazares e eventos para doação, para ajudar famílias que foram despejadas de suas casas em função de alguma obra do Governo.

Fernanda Gomes

Referências:

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-batalha-pelo-cais-jose-estelita-8652.html

http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252014000400003&script=sci_arttext

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150828_facebook_recorde_lab

André Ferreira

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