Homens que não conseguem amar

Hoje eu me lembrei de você. Eu estava lendo um livro, acho que a tradução seria “homens que não sabem amar” e fala sobre fobia de compromisso e boicote covarde. Sobre procurar tanto e desaparecer. Como você sabe, estou escrevendo um livro sobre aquele assunto e preciso ler de tudo, sem predileção.

De acordo com os autores, um casal, tanto faz se você já foi casado ou teve relacionamentos longos. O pai da minha melhor amiga é casado e trai a esposa desde sempre. Apesar de estar casado, ele age como se precisasse provar para si que é livre e sem amarras ou como se quisesse puni-la por ter “tirado dele” sua “liberdade”.

Sabe aquela síndrome do pânico que eu tratei com anos de terapia depois que sofri aquela tentativa de estupro? Então! Você tem a mesma síndrome do pânico, mas de compromisso. Existe uma associação chamada MADA, mulheres que amam demais, mas, estranhamente, não existe uma HADME, homens que amam de menos. Um tanto injusto com os homens, não acha?

Eu li, em um livro escrito por um casal americano mundialmente conhecido como “gurus do amor”, as mesmas frases que você me disse e aqueles homens do livro, os entrevistados, eram um espelho seu. Deixe eu dar um exemplo: sabe quando você disse “te adoro MT”, “você é o meu encaixe perfeito”, “vc é perfeita para mim, em tudo” e me descreveu?! Então, eu acreditei e depois você sumiu. Exatamente igual a dezenas de homens entrevistados. Achei curioso. Nem da mesma nacionalidade são. Vocês só tem em comum ser homem e hétero.

No capítulo 2 desse livro, o autor diz que os homens com fobia de compromisso começam a não telefonar tanto, falam menos por mensagem, podem sumir por dias e tudo sem a menor explicação. Quando sentem que gostam dela e a intimidade aumenta, somem. Quando a mulher os indaga, eles dizem “você não pode ser tão intensa”, “se fosse compreensiva, entenderia”, “eu não posso ser o homem que VOCÊ quer”, “preciso de mais espaço”.

A última frase me lembrou muito você, depois de sumir por duas semanas. Eu juro que ri. 14 dias de espaço não são o suficiente a sua síndrome do pânico de compromisso. Eu ri. Sério! Você se lembra daquela conversa por WhatsApp que tivemos e virou uma tragédia grega, com você dizendo “nem amizade dá”? Então. Você sumiu por duas semanas e queria que eu tivesse guardado o seu presente de aniversário, sendo que você sequer atendeu a minha ligação de parabéns. Quando eu disse que tinha me livrado dele para não ficar pensando em você, a vossa senhoria fez um escândalo, mostrando para mim o quanto você tem um coração bom e eu sou tão ruim e desejo coisas ruins para as pessoas que não merecia sequer a sua amizade. Naquele dia eu chorei até as 4h50 da manhã e fui trabalhar às 7h.

Mas voltando ao livro, gostei quando o autor disse:

Sua única falha é que você foi treinadA para reagir favoravelmente a um homem que age como um cavaleiro de armadura reluzente

É verdade. Também somos, as mulheres, treinadas para nos culpar e punir pela distância de homens como você. Nós, mulheres, tomamos um relacionamento como um projeto do qual somos gerentes. Se o projeto vingar, a equipe leva a glória. Se falhar, a culpa é toda da mulher, toda nossa.

Se vocês soubessem a tortura mental que nos permitimos sofrer, ao ler e reler toooooodas as conversas e tentar entender onde NÓS erramos com vocês, vocês mudariam? Procurariam tratamento? Ou sentariam juntos em uma roda de bar e beberiam em homenagem às mulheres que enlouqueceram por esporte? O livro fala “eles são confusos dentro de si e gostar não está em questão. O pânico precisa fazer de você a algoz da dor dele, da confusão mental dolorosa”.

Gostaria que lesse esse livro e até que existisse um MADME. Mas eu gostaria só por que o santo feminismo que me rege manda amar a próxima e eu não gostaria que fizesse o mesmo com a próxima. Mas, no fundo, o meu ponto sequer é você, mas uma frase do livro que está martelando até agora:

Por que as mulheres assumem a responsabilidade atribuída a elas pela cultura?