Por medo, não li

Eu não tive coragem de ler. Após tanto amor genuíno, ingênuo, leve, limpo e gentil a alguém, achei que o melhor seria seguir e fingir que aquilo não aconteceu. Eu leria se odiá-lo quisesse. Ali poderia ter o pior dele em palavras a mim. Eu apaguei sem ler para preservar o melhor dele em mim.

Imagino que suas palavras continham o pior e eu queria guardar o melhor dele, então não li. Apenas apaguei e nunca lerei. Não li para guardar dele o melhor em mim. De tão triste me repito. Ele já havia me machucado muito. Nunca imaginei. E não li.

Eu não li e ele nunca me lerá. Todo carinho vira uma bela fumaça de mim e segue. Não dormi, não comi e não lerei. Vou seguir sem olhar para suas palavras por medo de perder dele o amor limpo e lindo que imaginei.

Quantas e quantas vezes nós não preferimos fingir que alguém é bom? Não?! Eu faço isso com quem importou, com quem eu desejei mais. Eu cuido do amor que pensei que tive como arranjo de flores e, mesmo depois de mortas, guardo algumas pétalas no melhor livro e finjo que foram as flores mais bonitas que recebi.

Ele foi um ramo de flores lindo, colorido e de cheiro inigualável. Ele foi a entrega que eu desejava, veio em hora perfeita, tinha o nome perfeito, tinha o jeito perfeito. Ele se foi e provou que nada é perfeito. Mas eu vou fingir que continua sendo perfeito e foi uma página boa da vida. Uma página que escolhi não ler.