Regras de etiqueta

Há a forma correta de se segurar uma xícara e a sua. Com a forma correta você se sentirá inserido no grupo dos “bem educados” e não sofrerá “preconceito social” enquanto estiver exposto a quem pratique isto. Bem, é o que acreditamos: seremos aceitos.

Quem inventou a regra? Sempre jurei que aquele rei inglês canhoto, Luís XV, fosse o engraçadinho a inventar tamanha tolice, mas foi um conterrâneo meu, um italiano, Giovanni della Casa, o autor do maior manual de etiqueta e que realmente pegou, escrito em 1558. Ou seja, até então como vivíamos, sentávamos, comíamos, amávamos? De forma livre.

Etiqueta e ítalo-brasileiros Bem, sou conhecida por ser bem educada, entrelaçar os dedos na altura da cintura, segurar o garfo com a mão esquerda etc., mas, convenhamos, para italianos não falar na hora da refeição, momento de confraternizar, é uma grosseria sem tamanho e, se há comida e fala, há boca cheia.

Quebramos regras, conjuntos de normas sem ou com sentido, para termos o direito a individualidade e liberdade, mantendo harmonia, é claro. A marca pessoal e a conexão com o humano valem mais do que um “olha, ela deve ter estudado por aqui” ou “você fez curso de etiqueta, Fernanda? É tão delicada.”, ou seja, ela é uma de nós.

Sua marca pessoal Há uma regra, eu sei, e há a minha forma, a minha marca, a forma como serei lembrada. Eu tendo a seguir regras de etiqueta em ambientes “hostis” e ser menos phynna em casa. Não se perde a compostura por completo, apenas baixa-se a guarda.

Com ele Ele, tão educado, refinado e harmônico, me fez por segundos querer ser mais “adequada”. Logo me lembrei que ali era um ambiente ameno, entregue, e eu não precisaria me proteger. Eu queria falar, queria me entregar em palavras para ele e queria comer, então, fiz aquilo que desejava, cobrindo a boca. Rss Ele notou. Quando tentei imitar a forma como colocava o guardanapo no colo, ele me disse “Coma do seu jeito. Pode fazer a bagunça que quiser”, enquanto arrumava seu prato de forma tão harmoniosa. Bem, eu não fiz bagunça, apenas não me permiti tentar ser outra que não fosse eu e me sinto orgulhosa por segurar a xícara “errado” com ele e segurar “certo” em um jantar de trabalho. Afinal, à casa cabe a nudez (de alma também) e à rua, proteção.