Sem sono e sem pão

Um rosto que me quer saber por inteiro. Não apenas conhecer, saber. Ele desvenda partes de quem olha enquanto pensa “dele nada sei”. Eu, inteira, somada de tantas partes, jamais serei desvendada, pois, de mim, nem sei eu.

Dizem que há charme no mistério. O que haveria de sensual na insegurança?! Admira-me a imponência dos que contam em dedos, mesmo sem saber se seriam julgados. Como prova de lealdade a quem se serve, obedecemos mesmo temendo.

Sendo eu um ser de verdade, dos que contam segredos ao falar demais até dormindo, temo a escuridão dele e sigo em uma entrega continua. Minha entrega é minha e não dele, não depende dele, mas pode morrer em palavras não ditas dele.

Eu sei. Nada depende dele e depende tanto em certo ponto. Poderíamos nós ter menos medo da luz? Teríamos nós a medida de dar números e não nomes? Precisaria eu ser menos fluida e honesta e começar a calcular as palavras para alguém a quem eu deveria ser apenas entrega?

Hoje me deito com a curiosidade de uma criança que se sente acuada pelo silêncio da mãe e provavelmente não vai dormir de novo, pois o inconsciente não vai perdoar mais essa. Sendo ele o maior sádico dela, por que a permitiria dormir se sequer tem de onde ganhar o pão.

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