A astrologia é uma farsa?

Há quem confunda astrologia com astronomia e, apesar das diferenças gritantes entre ambas, elas têm um ponto em comum: a observação dos astros. Até o renascimento as duas estavam intimamente ligadas, quase como uma única ciência, mas, após a revolução científica, a astronomia começou a usar métodos científicos, a física e a matemática para comprovar suas teorias, enquanto a astrologia permaneceu no campo da subjetividade, fazendo suposições baseadas em estudos psicológicos e filosóficos ao observar o comportamento social dos indivíduos.

Cientificamente falando a astrologia não é uma ciência, pois não faz uso de nenhum método científico comprovado e nem possui respaldo suficiente para justificar suas predições. Aliás, a ciência ‘prova’ a farsa da astrologia com base na teoria do Efeito Forer. De acordo com um estudo feito pelo psicólogo Bertram R. Forer, as pessoas tendem a acreditar em descrições de sua personalidade mesmo que sejam vagas e aplicáveis a inúmeras outras pessoas.

O experimento feito por Forer consistia em aplicar um teste de personalidade, sendo que o resultado era um texto exatamente igual para todos e logo em seguida perguntar se ele os descrevia. Os estudantes disseram que o texto era uma descrição precisa de suas personalidades e avaliaram o resultado numa média de 4,26, dentro de uma escala de 0 a 5. A conclusão do estudo nos leva direto para o conceito de validação subjetiva, ou seja, a tendência que temos de correlacionar fatos desconexos só para fortalecer nossas crenças individuais, geralmente ignorando ou justificando o que as contraria.

Embora com evidências científicas de que a astrologia não tem nenhuma sustentação plausível, o viés de confirmação seria um dos fatores que contribui para a manutenção do interesse das pessoas no assunto, bem como a credibilidade que alguns dão para as previsões astrológicas. De acordo com esta teoria, nós apenas procuramos informações que acreditamos ser corretas e que confirmem crenças e hipóteses já pré-estabelecidas, além da propensão de ignorarmos aquilo que foge das hipóteses iniciais.

Antes de finalizar o texto, gostaria de deixar claro que meu objetivo não é ridicularizar a astrologia ou quem acredita nela. O objetivo do texto é apenas mostrar como, cientificamente falando, ela não é possível. Acredito que existe muito mais coisa no universo do que a mente humana será capaz de compreender um dia e pode até ser que os astros interfiram na nossa vida de alguma forma, assim como interferem na maré, mas não é um mapa astral que define a sua personalidade e muito menos um horóscopo que determina a sua semana. Afinal de contas, eu sou pisciana e, mesmo com ascendente e lua em áries, não posso perder o senso místico, né?

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