A condição humana e o que há de pior em cada um de nós

Foto: Autor Desconhecido

Cresci em uma família tradicionalmente cristã, acreditando que a natureza humana é ruim e que somos predestinados para a maldade. Apenas por meio da redenção divina é que alcançaríamos a graça da bondade e do coração puro.

Sobre a natureza humana, gostaria de citar dois contrapontos. Konrad Lorenz realizou um importante estudo comparativo entre o comportamento humano e de outros animais. Para quem quiser um maior aprofundamento no estudo de Lorenz pode ler esse artigo aqui, mas, resumindo, sua conclusão foi de que os seres humanos têm um impulso nato para o comportamento agressivo, assim como vários animais. Alguns desses comportamentos não poderiam ser explicados behavioristicamente.

Ainda segundo Lorenz, esse impulso deveria ser limitado a causar poucos danos, se não fosse pelo fator agravante de que nós dispomos de armas e outros artifícios que tornam o nosso potencial mortífero mais significativo.

O contraponto se encontra nas teorias Skinner, as quais afirmam que o comportamento humano é condicionado quase completamente pelas influências do meio, mediadas por mecanismos de condicionamento, ou seja, algumas atitudes precisam de um estímulo externo para serem realizadas e a agressividade não é uma característica nada dos seres humanos.

Afinal de contas, quem está correto?

Baseado apenas em minhas convicções pessoais e nenhum estudo, acredito que somos a união dos dois. A tendencia para a agressão está em nossos instintos, mas também somos condicionados ou não a isso por influências do meio. Apesar da presença dos instintos violentos, nós somos criaturas racionais e como o próprio Lorenz disse “o autoconhecimento é o primeiro passo para a salvação”. Por termos a capacidade de racionalizar, também podemos classificar atitudes como morais ou amorais, baseado em nosso julgamento social.

A natureza humana é formada por nossos instintos e complementada com nossas construções particulares e, a menos que consigamos elaborar um modelo social no qual a violência e agressão sejam erradicados com eficiência ímpar, continuaremos sofrendo com os impulsos nossos e alheios.

Não que sejamos maus por natureza, não acredito nisso. Acredito que sejamos criaturas convivendo com dualidades instintivas e sociais, que podem ser acentuadas ou atenuadas conforme as épocas em culturas nas quais nos encontramos.

Por esses e outros motivos, acredito que ao longo dos séculos temos aprendido a lidar com os nossos demônios internos cada vez melhor. À medida que atingimos fatores como educação, autoconhecimento e empatia, vamos ganhando força para construir uma comunidade melhor e viver em harmonia, até o dia em que iremos aprender a domesticar nosso lobo.

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