O que aprendi convivendo com alguém oposto a mim

Que nós temos fortes tendências a nos aproximarmos daqueles que parecem conosco, não só em pensamento, mas também fisicamente, é fato. Isso faz com que restrinjamos nossos grupos sociais exclusivamente para os que fortalecem os nossos conceitos já pré-formulados. Podemos justificar isso dizendo que preferimos os semelhantes para evitar os conflitos, porém acredito ser perfeitamente normal e até saudável também ter amigos em seu círculo social cujo pensamento seja diferente, desde que ambos saibam manter a diplomacia.

Este texto é reflexo de uma série de observações feitas por mim diante da convivência com um amigo em específico, cujo modo de pensar não poderia ser mais diferente do meu. Portanto, listarei algumas das coisas que aprendi ao conviver com alguém com o pensamento político, social e moral totalmente divergentes do meu.

A primeira lição que aprendi foi ouvir. Todo debate construtivo consiste em uma apresentação de argumentos e contra-argumentos na defesa de um ponto de vista. Mesmo que os argumentos não sejam suficientes para mudar sua opinião é importante escuta-lo, isso irá te ajudar a encontrar as falhas em sua própria argumentação e formas alternativas para consolidar suas próprias opiniões.

Na “pior” das hipóteses pode ocorrer de você compreender o ponto de vista do outro e mudar o seu próprio, mas não há nada de errado nisso. Temos essa mania de achar que é o fim do mundo quando alguém nos apresenta um argumento que nos deixa em dúvida sobre o que nós acreditamos, mas isso não passa de orgulho de admitir que às vezes podemos estar errados. O que nos leva para o segundo aprendizado: está tudo bem mudar sua opinião quando você conhece algo novo.

O terceiro ponto foi entender que alguém com o pensamento diferente do meu é tão humano quanto eu sou. Essa foi, talvez, a observação mais importante de todas. Meu amigo tinha embasamento teórico para manter suas convicções, mas ele não se resumia às suas convicções. Quem pensa diferente de nós também tem família, sentimentos, sonhos, personalidade e entre outras tantas coisas que são características normais de qualquer outro ser humano. As opiniões de uma pessoa podem ser reflexos de sua personalidade, mas isso não é um fator determinista à ponto de classificar alguém como mau ou bom só por defender uma causa X.

Por fim, a última lição, mas não menos importante, foi respeitar. Como eu disse no início do texto, a percepção da diplomacia em ambos os lados é fundamental neste tipo de situação. Obviamente não é possível manter respeito em uma situação de discurso de ódio, mas é perfeitamente possível manter a compreensão e empatia por alguém que tem uma visão diferente da sua em devoção religiosa, por exemplo.

Conflitos irão ocorrer, claro, mas não há porque temer isto. Se há maturidade para lidar com essas situações, a amizade irá se desenvolver normalmente. Vale salientar que todas essas situações só são possíveis quando ocorrem em mutualidade, não adianta todos esses esforços sem reciprocidade.