Mais tarde — Laura e Vicente

Já faz um mês que o Vicente recebeu a promoção e foi nosso segundo encontro. Inesperado. Esse foi bem diferente do primeiro, quando cheguei de surpresa no meio da semana, para tomar banho de amor e mar, além de cerveja no copo americano e misto quente na madrugada.

Sempre acostumada às despedidas, já tinha ativado uma espécie de dispositivo que me alertava o tempo inteiro o quanto o nosso estar junto era próximo, mas esse convite para um trabalho fora daqui me deu uma rasteira e perdi, novamente, a noção do tempo e, porque não dizer das prioridades — se é que elas existem. Não podia recusar. Melhor: não queria recusar.

Tantas foram as vezes que deixamos nosso desejo de estar mais próximos para mais tarde que a palavra mais, no nosso vocabulário, quase ganhou o sentido de outra, de som tão semelhante, porém um significado tão diferente: mas. Adversa, contraditória, com jeito de justificativa…

Escrevo no diário, do avião, mais próxima do sol que tanto admiro. O astro aquece meus pensamentos. Vicente ficou no saguão, com o cabelo cortado por mim, camiseta amarrotada e casaco. Faz frio. Ele parecia tentar disfarçar alguma decepção, ou será que a decepção quem tentou esconder fui eu, por ter escolhido vir ou por ele não ter me pedido pra ficar? Sei que ele não me pediria e, por isso, nunca saberei se ficaria.

Serão seis ou sete meses fotografando algumas das cidades mais populosas do mundo. Xangai, Mumbai, Karachi, Nova Deli, Istambul e, no retorno, a nossa São Paulo que, dessa vez, espero olhar com as melhores retinas: as minhas junto as dele. Será?

Na hora do embarque, fiquei na ponta dos pés, Vicente afagou meus cabelos que tanto gosta e sussurrou no meu ouvido:

“A distância ainda vai desistir de nós?”

(…)

Sim. E nós dela, amor.

Laura

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