Inércia do esquecer
Sabe, eu tento todos os dias não lembrar de você, acordo pensando que devo esquecer teu jeito bonito com as pessoas, do teu humor jogado na melancolia passageira, que devo deixar de sentir o teu discurso, a tua voz, a tua singela diferença. Aquele último dia que nos falamos, também está na minha lista de desejo de esquecimentos, sua enxurrada de perguntas, nossas opiniões não batendo, você falando de mulheres que não o interessava, esse dia que sem dúvidas, você nem lembra. Você não me dá mais like, sumiu daquele nosso espaço direto de conversação em que não media suas postagens, e eu continuo naquele lugar, esperando o teu retorno, lugar esse onde eu não sentia a tua inércia, lá eu fingia que tinha um pouco daquele cara que eu conheci uma noite, que eu me mantia em alguma lembrança tua, na memória cheia, mesmo assim, a distância. Sabe, eu sei que para você sou só aquela mulher bonita da suas redes, falam coisas engraçadas, sendo oposto dentro da tua semelhança, eu sei, a culpa não é tua desse sentimento todo guardado aqui, a culpa é minha, sempre foi, eu sei que a mulher que está do teu lado é mais interessante, e sei que não sou relevante na tua rotina, uma pena, tudo aqui dentro se tornou uma pena, um quase amor, um quase obrigado por aquele dia, um quase discurso de alguém que gostaria de esquecer algo que nunca existiu, até agora, me perdoe por ter me tornado uma repetição.