Eu queria que esse amargor fosse metafórico, toda a dor fosse metafórica, que a angústia fosse metafórica.

Eu queria mais uma vez sentir que tudo está bem. Que a vida segue seu fluxo como um córrego calmo. Mas os córregos estão entubados por baixo do asfalto quente. Os carros passam por cima dos córregos sem ninguém saber que eles permanecem lá, menos água limpa do que esgoto, mas ainda seguindo um fluxo.

Nada está bem.

Eu acordo com esse gosto de saudade na boca. Eu sinto minha gengiva inflamada, como minhas expectativas ao ver seu rosto. Eu tomo os remédios 3 vezes por dia, seria mais eficaz se elas fossem abraços seus.

Eu choro, eu grito eu me desespero. E não tem ninguém pra escutar.

Preciso de uma incisão, para extrair você de mim. Colocar um curativo, que deixe um amargor em mim. Que abra, que doa, que costure, que cicatrize, e que eu nem me lembre mais, até sentir na minha pele de novo. E então, que eu não me lembre da dor, mas que tenha a memória de que doeu pra cacete.

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